11/05/2015

Vós também dareis testemunho… (Jo 15,26 – 16,4a)

No texto grego de São João, o verbo habitualmente traduzido por “dar testemunho” é um derivado do substantivo “mártir”. Precisamos ter em mente que o verdadeiro e cabal testemunho cristão é exatamente o “martírio”. Não há como duvidar do testemunho existencial de um Estêvão (At 7), que aceita ser sumariamente lapidado, isto é, apedrejado, mas insiste em afirmar que Jesus Cristo, o condenado à cruz, ressuscitou dos mortos e está vivo à direita de Deus Pai.

Nos primeiros tempos da Igreja, pagava-se com a vida pelo testemunho da fé cristã. Foi assim com o apóstolo Tiago (cf. At 12,2), irmão de João. Em Roma, onde Pedro foi crucificado, ainda se conservam as ruínas do Coliseu, em cuja arena milhares de cristãos enfrentaram as feras ou a espada do carrasco. Nos campos de concentração nazistas e nos gulags soviéticos, milhões de pessoas (judeus e cristãos) foram mortas pelo ódio a Deus e à Igreja. Em pleno Séc. XXI, em países de lei islâmica, como o Sudão, esses martírios continuam a ocorrer.

Mas há outras formas de dar testemunho que podem constituir autêntico martírio. Ser alvo de zombarias no emprego, ouvir críticas na própria família, enfrentar a “pregação” demolidora e o sarcasmo de professores ateus e anticlericais – tudo isto agride a fé dos cristãos e exige deles um sofrimento que se soma à dor da incontável legião dos que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro (Cf. Ap 7,13-14).

Segundo nos garante Jesus, em todas estas circunstâncias, temos a assistência fiel e permanente do Espírito Santo, que não nos deixará sozinhos em nosso combate. Excluídos, perseguidos, preteridos em favor daqueles que fazem o jogo da sociedade pagã de produção e consumo, seremos premiados com a bem-aventurança de Jesus: “Bem-aventurados sois, quando, por minha causa, vos injuriarem e perseguirem e disserem, falsamente, contra vós toda espécie de mal”. (Mt 5,11.)

Quanto a mim, dou um testemunho visível de Jesus Cristo nos ambientes onde eu vivo? Ou o medo e a vergonha ainda mantêm atadas minhas mãos e minha boca?

Orai sem cessar: “O Senhor é minha luz e salvação, a quem temerei?” (Sl 27)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.