4/01/2017 – Vinde e vede! (Jo 1,35-42)

Este duplo imperativo veio em resposta a uma pergunta de André e João: “Mestre, onde moras?” A resposta deixa claro que nada substitui a experiência do convívio, do encontro pessoal: “Vinde e vede!” De nada serviria aos dois futuros discípulos receber um manual descritivo ou o “curriculum vitae” de Jesus de Nazaré. Só a proximidade do dia-a-dia poderia criar vínculos definitivos entre o Mestre e os discípulos.

Em sua Carta apostólica “Porta Fidei” [A Porta da Fé], de outubro de 2011, propondo a toda a Igreja o “Ano da Fé”, cujo encerramento ocorrerá em novembro de 2013, o Papa Bento XVI afirmava: “Desde o princípio de meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo”. (PF, 2)

Mais adiante, ao considerar que a própria razão humana traz inscrita em si mesma a exigência “daquilo que vale e permanece sempre”, Bento XVI acentuava que “esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro”. (PF, 10)

E aqui penso estar a grave falha dos pais, catequistas e pregadores de nosso tempo, quando falam sobre Jesus Cristo, mas não promovem nem facilitam esse encontro pessoal de suas ovelhas com o próprio Jesus. De que adiantam lições doutrinais e teses teológicas, cursos inteiros de catequese para pessoas que ainda não tiveram seu encontro pessoal com o Salvador?

Vejo o mesmo equívoco nas letras de cânticos para as celebrações, com verdadeiros discursos sobre as verdades da fé, mas sem a coragem de chamar a Deus de TU. Ou seja, cânticos que não são preces, mas tratados abstratos. São dirigidos ao intelecto, mas ignoram o coração dos fiéis.

Neste Evangelho, com duas palavras, Jesus convida os futuros discípulos ao convívio diário, à intimidade com o Mestre. São Marcos chega a dizer que só foram chamados – por enquanto – para “estar” com Jesus (cf. Mc 3,14). Ali bem perto, observariam as palavras e os gestos do Mestre; uma vez apaixonados por ele, todo o resto – inclusive a missão – seria mera consequência.

Em muitas paróquias do Brasil, os jovens estão ausentes. Como explicar essa ausência? Será que falta ali um repertório musical mais animado? Ou, antes, falta alguém que os leve ao encontro de Jesus Cristo, de modo que possam vê-lo e por ele se apaixonar?

Onde encontraremos um Dom Bosco para nossos dias? Onde estará a nova Chiara Lubich?

Orai sem cessar: “Senhor, gosto da casa onde moras!” (Sl 26,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.