DIA 20 DE FEVEREIRO – SEGUNDA-FEIRA
VII SEMANA DO TEMPO COMUM
Evangelho (Marcos 9,14-29)
9 14 Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
15 “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.”
16 Passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
17 Jesus disse-lhes: “Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens.”
18 Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no.
19 Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo.
20 Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram.
21 Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar.
22 Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
23 Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou:
24 “Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus!
25 Mas Jesus intimou-o, dizendo: “Cala-te, sai deste homem!”
26 O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.
27 Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: “Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!”
28 A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galiléia.
29 Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André.
Palavra da Salvação.
Meditando a Palavra
Com oração e jejum…
Mais um contraste nos Evangelhos: montanha versus planície.
Na planície, a multidão agitada, ruidosa e… frágil na fé. Os pobres discípulos de Jesus estão incluídos na multidão que se vê impotente diante do demônio que agita terrivelmente um jovem possesso.
Um parêntese: é claro que eu acredito na existência de demônios (e estou muito bem acompanhado de toda a Tradição eclesial e do testemunho do Papa Paulo VI). Para aqueles racionalistas que insistem em traduzir as possessões do Evangelho como casos de epilepsia (doença desconhecida naquela época – garantem eles), sugiro apenas que digam aos senhores médicos (de hoje) que o remédio para tal enfermidade é… jejum e oração…
Ora seja como for, do outro lado está a montanha. O lugar do encontro com Deus (como atestam Abraão, Moisés, Elias e outros do mesmo time). E é da montanha, onde passou a noite inteira em jejum e oração, que desce Jesus e encontra cá em baixo toda esta balbúrdia feita de capetas, encapetados e exorcistas que não conhecem seu ofício.
Feito o trabalho, libertado o garoto, o pai feliz da vida, é a hora de os discípulos amuados perguntarem ao Mestre: “Como explicar o nosso fracasso? Por que não pudemos expulsar o demônio?” E Jesus, curto e grosso: “Esta espécie de demônios (ora, ora… então há várias espécies de epilepsia, hein?!) com nada se pode expulsar, a não ser com oração e jejum.” No latim de São Jerônimo: “Hoc genus in nullo potest exire nisi in oratione”.
Algum leitor estará torcendo o nariz: “Jejum e oração?! Que coisa mais arcaica!” Ora, a água vegetomineral dos tempos da vovó pode ser um remédio arcaico, mas faz efeito ainda hoje. E os capetas do tempo de Jesus Cristo são os mesmos de nosso tempo, ainda que mais treinados e especializados.
O velho remédio ainda vale? Responde o mestre da teologia ascética e mística (matérias ignoradas nos seminários de hoje!) Ad. Tanquerey. Segundo ele, para fazer exorcismos (aliás, ministério exclusivo de sacerdotes especialmente autorizados pelo bispo diocesano!) “convém preparar-se para essa temerosa função por meio de uma confissão humilde e sincera, para que o demônio não possa lançar em rosto aos exorcistas as suas faltas; e pelo jejum e oração, visto haver demônios que não cedem senão a estes meios.” (nº 1546, 1.)
Prudência e caldo de galinha, dizia vovó, não fazem mal a ninguém…
Orai sem cessar: “Senhor, tu me libertas dos meus inimigos.” (Sl 18,49)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.