Pode parecer estranho o fato de alguém abrir mão de tantas propostas que a sociedade dos nossos dias oferece, para assumir uma vida baseada na entrega e na doação. Qual a razão de alguém se consagrar a Deus através dos conselhos evangélicos? Qual o sentido de fundamentar toda uma existência nos votos de castidade consagrada, pobreza evangélica, e obediência fraterna? Respondendo de forma simples e objetiva, é “a busca do único necessário”: o Deus de Jesus Cristo que se encarnou e se fez presente em nosso meio. Pode-se afirmar que a centralidade da vida religiosa está exatamente nesta busca sincera de Deus. Mas, como ela pode se tornar visível aos olhos dos nossos irmãos e, como, por ela, se dá a visibilidade da vida consagrada aos olhos do mundo? Através da profissão dos conselhos evangélicos que expressam os traços característicos de Jesus VIRGEM, POBRE E OBEDIENTE. É o testemunho e a fidelidade do consagrado que os tornam visíveis e centrados na missão. Entende-se, portanto, que a vida consagrada é um sinal da pessoa de Jesus no mundo.

A Castidade Consagrada expressa a plenitude do amor de Deus. O Concílio Vaticano II define castidade como sendo “a capacidade de uma pessoa de se entregar totalmente a Deus através de uma vida casta”. O voto não é o sinônimo de “proibições”, mas a capacidade de doar-se totalmente a Deus através do serviço. É a maneira de estar aberto às relações puras, acolhedoras e edificantes.

A Obediência Fraterna é a relação amorosa que existe entre a pessoa humana e Deus. Obedecer no sentido evangélico é ouvir com profundidade e discernimento a vontade divina. Neste sentido, obedecer não é submissão, mas expressão de fé. A obediência está intimamente ligada ao discernimento, visto que, obedecer é abrir mão dos planos pessoais para assumir o plano de Deus.

A Pobreza Evangélica é o exercício do seguimento de Jesus, que “sendo rico se tornou pobre por amor incondicional aos homens”. É um gesto profético de renunciar a possibilidade dos bens materiais, tão propagados e defendidos em nossos dias. Viver pobre como o Senhor é denunciar o egoísmo de alguns que retêm para si os bens, outrora concedidos por Deus a todos. A pobreza evangélica é um apelo à justiça, é o exercício da partilha e o anúncio da gratuidade nas relações.

Em tempos de profunda indiferença aos valores do Evangelho, a vida consagrada é um sinal de que o amor de Deus é uma realidade. Sendo assim, “onde houver homens e mulheres apaixonados por Jesus e sua causa, haverá vida religiosa”. Sem esta experiência teologal cada vez mais exigente e gratificante com Jesus, o Senhor nosso, e sem esta sedução, não conseguiremos testemunhar a Vida Religiosa.

Pe. Edvaldo Rosa de Mendonça, MSC
Superior Provincial