Vende todos os bens… (Mt 13,44-52)

De uma só tacada! De um só golpe! Um salto no escuro? Não, um salto na luz!

Aquele que recebe a revelação (quando um véu é retirado dos olhos…) do Bem supremo que é o Cristo, sabe que todos os bens são nada diante do novo Reino que se abre a seus pés. Por isso vende tudo e adquire o valor maior… Seria loucura, insanidade? Ou, antes, seria um… bom negócio?

Hans Urs von Balthasar comenta este lance louco que aposta tudo em uma única ficha. Ele escreve: “Mais uma vez, Jesus narra neste Evangelho três parábolas que devem deixar ver, por transparência, o Reino dos céus. As duas primeiras assemelham-se entre si naquilo que elas contam e, ao contar, exigem: o tesouro encontrado no campo e a pérola preciosa que foi descoberta exigem do camponês e do negociante, até por uma prudência calculista puramente terrena, a venda de tudo o que eles possuem, para poderem adquirir o que é muito mais precioso.

No fundo, nem chega a ser um risco agir assim, é quase uma simples esperteza. Aquele que compreende o valor do que Jesus oferece, não hesitará em despojar-se de todos os seus bens, em tornar-se pobre em espírito e na fé pura para adquirir o que lhe é oferecido. ‘Felizes os pobres em espírito (isto é, aqueles que em sua disposição de espírito renunciam a tudo), pois deles é o Reino dos céus!’

Mas não é todo mundo que encontra o tesouro e a pérola, não é todo homem que se decide ao compromisso total. Daí, a terceira parábola (a parábola da rede, v. 47-50) que, da decisão temporal, extrai a consequência, isto é, a decisão escatológica: a rede puxada para a margem, os peixes ruins são rejeitados. Isto significa que, por trás da última oferta de Deus, a oportunidade única, se encontra a séria advertência de não a negligenciar.

Trata-se do ganho ou da perda de todo o sentido da existência humana. Como o camponês e o negociante que, por prudência, não hesitam um só instante, assim também o cristão, tendo compreendido de que se trata, logo aproveitará a oportunidade.”

Três pequenas parábolas. Breves, densas, ameaçadoras… Elas devem ser vir para nós como um grave alerta sobre o risco de nos apegarmos a bens passageiros – aquilo que “o ladrão toma e a traça rói” (cf. Mt 6,19) – e, ao fim da vida, chegarmos à triste conclusão de que acabamos desperdiçando nossa vida com ninharias e deixamos de lado os valores de eternidade.

Orai sem cessar: “O temor do Senhor é seu verdadeiro tesouro.” (Is 33,6)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.