Veio para servir… (Mt 20,17-28)

Os judeus esperavam por um Messias poderoso… um general vencedor… uma espécie de Macabeu feroz que expulsaria os odiados invasores romanos… Que decepção! Veio um servo sofredor…

Jesus é bem claro: “Eu vim para servir”. E qual é o seu “serviço”? Dar a própria vida por nós.

Hébert Roux comenta: “Por suas últimas palavras (v. 28), Jesus acaba de orientar todo o seu ensinamento para sua própria pessoa. Assim como todo o destino terrestre do homem que quer ser seu discípulo está condicionado pela expectativa do Reino, seu destino eterno e sua entrada no Reino dependem da obra redentora de Cristo, que constitui o serviço por excelência: ‘O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar sua vida em resgate de muitos’”.

Vejamos: o Filho de Deus deixa o seio da Trindade, encarna-se, nasce de Mulher e se faz… um servidor? Exato. É isto que registramos Evangelhos. As costumeiras imagens de um Jesus coroado contribuem para nos iludir e desviar nossos olhos do “rebaixamento” – os teólogos chamam de kênosis – do Verbo de Deus.

Então, essa história de ser “vencedores com Cristo” pode ser perigosa? Claro que sim! Prepara os fiéis para os momentos de vitória (raros, aqui do lado de fora do Éden!), mas os condiciona a abandonar a barca na hora das tempestades (ocorrem com frequência…). Todos querem um general, poucos aceitam um Crucificado!

H. Roux prossegue: “O serviço de Jesus Cristo consiste em dar sua vida. O termo ‘resgate’ contém, biblicamente, a noção de ‘sacrifício de expiação’ ou de purificação (cf. Sl 130,8; Ez 37,23; 1Tm 2,6; Tt 2,14). Somente esta evocação da Cruz pode pôr um termo a toda discussão humana sobre a grandeza e a preeminência no Reino dos céus. Não apenas Jesus se dá como o supremo exemplo de rebaixamento, mas ainda recorda a seus discípulos que nenhuma medida humana é aplicável à vida daqueles que somente subsistem porque são ‘resgatados’, e devem em definitivo a entrada no Reino à graça única daquele que se entregou por nós.”

Pobre mãe dos filhos de Zebedeu: foi pedir um péssimo presente para seus filhos! Ou o evangelista teria transferido para a mulher (malvista desde Eva…) o que era, na verdade, a cupidez dos filhos? Seja como for, o presente de Jesus para seus discípulos só pode ser a Cruz. Qualquer outra coisa é ilusão e engano…

Orai sem cessar: “Servi ao Senhor com alegria!” (Sl 100,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.