Veio a ele muita gente… (Mc 3,7-12)

Neste Evangelho, estamos diante de uma constante na vida de Jesus: a atração sobre as multidões. Aqui e ali, os doutores da Lei e a casta sacerdotal dos judeus manifestam um misto de admiração e ciúme diante desse magnetismo de um simples galileu. Frei Inácio Larrañaga comenta:

“Era um espetáculo ver o Messias dos pobres rodeado de enfermos e esquecidos, perambulando de comarca em comarca, aproximando-se dos mais necessitados, falando a pequenos grupos, dirigindo-se a grandes massas, derramando misericórdia e compaixão, sempre ao ar livre ou no interior das sinagogas e domicílios particulares, confirmando sua mensagem com intervenções milagrosas.” (El pobre de Nazaret)

Seria simplificar a questão atribuir a presença da multidão apenas à expectativa de curas e milagres. Havia algo em Jesus, algo humanamente inexplicável, no fundo dessa atração irresistível. “Ninguém jamais falou como este homem!” (Jo 7,46) – exclamaram os guardas enviados a detê-lo e voltando de mãos vazias…
O que explica esse poder de sedução? Seria a misericórdia? Seria a capacidade de amar? Eis o que escreve o Papa Francisco:

“Agora este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus. A sua pessoa não é senão amor, um amor que se dá gratuitamente. O seu relacionamento com as pessoas, que se abeiram d’Ele, manifesta algo de único e irrepetível. Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas, decorrem sob o signo da misericórdia. Tudo n’Ele fala de misericórdia. N’Ele, nada há que seja desprovido de compaixão.

Vendo que a multidão de pessoas que O seguia estava cansada e abatida, Jesus sentiu, no fundo do coração, uma intensa compaixão por elas (cf. Mt 9,36). Em virtude deste amor compassivo, curou os doentes que Lhe foram apresentados (cf. Mt 14,14) e, com poucos pães e peixes, saciou grandes multidões (cf. Mt 15, 37). Em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia, com a qual lia no coração dos seus interlocutores e dava resposta às necessidades mais autênticas que tinham.” (Misericordiae Vultus)

Depois disso, já não podemos nos desculpar: “Somos poucos, mas bons”. Se fôssemos bons, talvez fôssemos muitos…

Orai sem cessar: “Todas as veredas do Senhor são misericórdia!” (Sl 25,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.