DIA 11 DE FEVEREIRO – QUARTA-FEIRA

V SEMANA DO TEMPO COMUM 

Evangelho (Marcos 7,14-23)

Naquele tempo, 7 14 tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: “Ouvi-me todos, e entendei.
15 Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
16 Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.
17 Quando deixou o povo e entrou em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe acerca da parábola.
18 Respondeu-lhes: “Sois também vós assim ignorantes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro,
19 porque não lhe entra no coração, mas vai ao ventre e dali segue sua lei natural?” Assim ele declarava puros todos os alimentos. E acrescentava:
20 “Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
21 Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos,
22 adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez.
23 Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”.

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

Cultivar e guardar… (Gn 2,4b-9.15-17)

Eis aí, em dois verbos, a síntese da missão do homem enquanto gerente da Criação. Ao cultivar o cosmo, ele gera a cultura. Ao guardar a natureza criada, conserva e perpetua o dom recebido.

Uma visada panorâmica da história humana ao longo dos séculos logo manifesta a evolução cultural realizada pelo homem, ainda que ambígua: lado a lado, a enxada e a espada, o trator e a ogiva nuclear, a penicilina e a pólvora. Dividida entre impulsos de vida e de morte, a criatura humana é capaz, simultaneamente, de multiplicar a vida e de decretar o seu aniquilamento.

Na Encíclica “Laborem Exercens” [1981], sobre o trabalho humano, o saudoso Papa João Paulo II, que vivenciara pessoalmente a condição de operário, nos ensinava que o trabalho humano contribui para a glória de Deus.

“Efetivamente, o homem, criado à imagem de Deus, recebeu a missão de submeter a si a terra e tudo o que ela contém, de governar o mundo na justiça e na santidade e, reconhecendo Deus como o Criador de todas as coisas, de se orientar a si e ao universo todo para ele, de maneira que, estando tudo subordinado ao homem, o nome de Deus seja glorificado em toda a terra.” (LE, 25.)

De certo modo, é como se o trabalho do Criador tivesse sido executado até certo ponto e deixado em suspenso, para que o homem lhe desse continuidade. A obra iniciada por Deus contém virtualidades que só o homem pode levar à consumação. Por isso mesmo, João Paulo II prosseguia:

“A consciência de que o trabalho humano é uma participação na obra de Deus, deve impregnar – como ensina o recente Concílio – também as atividades de todos os dias. Assim, os homens e as mulheres que, ao ganharem o sustento para si e para suas famílias, exercem suas atividades de maneira a bem servir a sociedade, têm razão para considerar o seu trabalho um prolongamento da obra do Criador, um serviço aos seus irmãos e uma contribuição pessoal para a realização do plano providencial de Deus na história.” (Carta Encíclica Laborem Exercens, 25.)

Esta é a visão cristã do trabalho. Ao contrário do pensaram muitas gerações, longe de ser humilhante estigma de escravos, o trabalho enobrece e dignifica o homem. Graças ao trabalho, sempre teremos algo a oferecer no altar de cada Eucaristia: os frutos da terra e do trabalho do homem… Em cada missa, em cada Eucaristia, o pão e o vinho levados ao altar reafirmam nossa consciência de coautores da Criação.

Orai sem cessar: “Poderás viver do trabalho de tuas mãos.” (Sl 128,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.