DIA 8 DE FEVEREIRO – DOMINGO

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

Evangelho (Marcos 1,29-39)

1 29 Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André.
30 A sogra de Simão estava de cama, com febre; e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela.
31 Aproximando-se ele, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los.
32 À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do demônio. 33 Toda a cidade estava reunida diante da porta.
34 Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demônios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam.
35 De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração.
36 Simão e os seus companheiros saíram a procurá-lo.
37 Encontraram-no e disseram-lhe: “Todos te procuram.”
38 E ele respondeu-lhes: “Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim.”
39 Ele retirou-se dali, pregando em todas as sinagogas e por toda a Galiléia, e expulsando os demônios.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Saiu para um lugar deserto… (Mc 1,29-39)

Imerso em intensa vida missionária, Jesus acha tempo para rezar. Sujeito a intensa pressão, solicitado pela multidão, dividido entre amigos (os discípulos), inimigos (fariseus, saduceus, homens do Templo) e necessitados (cegos, surdos, paralíticos, enfermos…), Jesus procura o Pai no silêncio.

Bastaria o exemplo do Mestre para que não caíssemos na armadilha de uma vida hiperativa sem o correspondente equilíbrio da vida orante. Na prática, porém, quantos fracassos devidos ao excesso de confiança em si mesmo e à falta de apoio na graça de Deus! De modo geral, a figura de um fiel dedicado à oração – exatamente porque conta acima de tudo com as luzes e as forças de Deus – costuma ser tomada como imagem de fuga do mundo, descompromisso com a realidade ou, na expressão marxista assimilada pelos cristãos, “alienação”.

Traço típico da civilização ocidental, onde louvamos a eficiência e a produtividade, a ênfase na ação deriva de uma visão otimista de nós mesmos e da aposta quase exclusiva no resultado de nossas atividades. Um mestre do Oriente diria que nos falta uma dose de humildade…
Gerhard Tersteegen [1697-1769] reflete sobre este equilíbrio necessário:

“Se alguém é verdadeiramente chamado e enviado pelo Salvador para o serviço e o despertar do próximo, a vida ativa deve permanecer sempre submissa à vida contemplativa, e esta última deve permanecer como sua preocupação mais importante.

Quero dizer que esses discípulos não deveriam dedicar todo o tempo a agir, sair e falar, mas que também é necessário a tais apóstolos reunir-se frequentemente junto a Jesus para com ele se entreter e repousar um pouco em um local deserto (cf. Mc 6,30-31). Isto permite que o serviço da Palavra permaneça sempre ligado à perseverança na oração (cf. At 6,4) e a ela subordinado.

De modo geral, aliás, eles jamais deveriam entregar-se desmedidamente às relações e ao trabalho com o próximo, sob o risco de negligenciar a vigilância sobre si mesmos, ou deixá-la em segundo plano diante do ensinamento, e poderia ocorrer que, depois de terem pregado aos outros, sejam eles mesmos desqualificados (cf. 1Cor 9,27).”

Em plena agonia, sabendo que chegara sua hora extrema, Jesus convida os apóstolos a acompanhá-lo na oração. Pouco depois, ele volta e os encontra adormecidos. Ainda ressoa em nossos ouvidos a sua queixa dolorida: “Não pudestes vigiar uma hora comigo?!” (Mc 14,37) E advertiu seus seguidores: “Levantai-vos e orai para não cairdes em tentação”. (Lc 22,46)

Orai sem cessar: “Minha alma aguarda pelo Senhor mais que as sentinelas pela aurora.” (Sl 130,6)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.