Uma pobre viúva… (Mc 12,38-44)

Hoje, Jesus elogia a viúva pobre que dá suas duas últimas moedinhas para o cofre das esmolas. Parece um tema obscuro na sociedade do capital, das bolsas de valores, das grandes corporações. Mas pode encerrar alguma lição…

José de Enaton [Séc. V] narra as palavras de Abba José ao sofista Sofrônio, que perguntava sobre o interesse de Deus em nossas esmolas:

“Deus determinou que as primícias de tudo o que nasce, de todos os frutos e animais puros, lhe sejam oferecidas em vista da bênção do restante e da remissão dos pecados. Ademais, prescreveu que os primogênitos dos homens lhe sejam consagrados.

Os ricos fazem o contrário: guardam para si os objetos úteis e dão aos pobres ou a seus irmãos aquilo que não serve. Por exemplo, eles bebem o vinho bom, mas o ácido ou ruim, eles o dão às viúvas e aos órfãos. Um fruto em bom estado, eles mesmos o comem, mas o fruto podre, eles o dão. As vestes cômodas e suntuosas, guardam para si, mas as que estão rasgadas ou usadas, lançam-nas aos indigentes.

Entre os filhos, aqueles que estão com saúde e bem conformados, guardam-nos para as uniões e casamentos, e para isso assumem grandes cuidados; mas os doentes, os caolhos, os enfermos e aleijados, eles os consagram a Deus e enviam para os mosteiros. Eis porque aquilo que é oferecido por eles não é aceito. Tal como Caim, quando fazia as oferendas (cf. Gn 4,3), não só não agradou a Deus, mas o irritou.

Seria preciso que essas pessoas pensassem nisto: quando queremos agradar a homens mortais. Nós nos esforçamos por oferecer-lhes aquilo que lhes parece o mais precioso; quanto mais se queremos agradar a Deus, nosso Criador, de quem recebemos as mesmas coisas que lhe oferecemos!

E como nós queremos que ele nos seja favorável por causa da esmola, devemos oferecer-lhe o que temos de mais precioso, para que nosso presente não seja vergonhosamente recusado em nosso seio e nossa oferenda não seja um objeto de horror que se recusa. De fato, assim como o sacrifício de Noé não era mais que aroma e fumaça, mas em consequência da boa intenção daquele que o apresentava, foi considerado como um odor agradável, conforme está escrito: ‘O Senhor sentiu um aroma agradável’ (Gn 8,21).”

Deus não olha a moeda. Olha o coração…

Orai sem cessar: “De todo o coração, darei graças ao Senhor!” (Sl 111,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.