No dia 11 de março de 2018, chegamos à Pemba, cidade da Província de Cabo Delgado na África. Um dia histórico para a Congregação, pois, iniciávamos naquele momento, uma nova experiência missionária. Fomos recebidos, ainda no aeroporto, por uma comitiva de padres e agentes de pastorais liderados por Dom Fernando Lisboa, bispo de Pemba. Após a calorosa acolhida, já na Casa Episcopal, tratamos dos assuntos mais pertinentes à missão. Dom Luiz nos apresentou as linhas gerais dos desafios de sua Diocese.

A Igreja em Moçambique é marcada por grandes desafios como a pobreza, a corrupção, doenças como a malária, febre tifoide, Aids e a hepatite. Além disso, o país conta com um sistema precário de educação e a falta de saneamento básico, o que compromete seriamente o bom desenvolvimento de sua população. Esta situação faz com que o país se configure na lista dos mais pobres do mundo. A população moçambicana, em sua maioria, não professa a fé cristã. A religião predominante é o Islamismo. Portanto, os missionários além de enfrentar uma infraestrutura precária, farão a experiência de ser a minoria neste processo de evangelização.

Em se tratando de ação missionaria, ficou acordado entre os Missionários do Sagrado coração e a Diocese de Pemba, que iremos atuar em Meluco, Kissanga, e Ibo. São três distritos que compõem a área missionária. Esta região fica ao norte do país, onde mais de noventa por cento da população professa a fé no Islamismo.

A residência dos padres será em Meluco, um distrito de 25mil habitantes, formado por aldeias espalhadas em diversos lugares. Ele está localizado a 220 km da sede da Diocese. As estradas são precárias e no período das chuvas é quase impossível o acesso às comunidades. Até o dia 18 de março de 2018, nenhum padre havia residido naquela região. Com a nossa presença, os cristãos de Meluco e dos outros distritos, terão a graça de contar com a assistência religiosa mais humana. Lembro aqui o nosso fundador que dizia: “os Missionários do sagrado Coração de Jesus devem estar preparados para irem aonde ninguém quer ir”. Resta-nos, então, agradecer a disponibilidade e coragem destes nossos confrades.

Percebemos naquele distrito, que os poucos cristãos que ali residem, estavam sedentos por esta presença. Ouvimos de alguns moradores que a última missa celebrada naquela comunidade, foi por ocasião da visita do bispo há um ano. Por causa desta carência missionária, cresce o número de muçulmanos e aumenta o número daqueles que nunca ouviram pronunciar o nome de Jesus e a proposta do seu Reino. Neste sentido, os padres Benedito Ângelo Cortez e José Eduardo Paixão, farão a experiência de trabalhar o evangelho como o primeiro anúncio.

Em Meluco, o povo na grande maioria não fala o português e sim alguns dialetos como Macua, Marcondes e outros. O bispo insistiu para que os missionários se esforcem em compreender e aprender o idioma local, o Macua. Dentre estes muitos desafios, os nossos missionários ainda terão que conseguir uma casa e o mínimo necessário para mobília- lá. Como diz o nosso povo em sua sabedoria popular, chegaram com a cara e a coragem. Por alguns meses eles residirão na casa do bispo e se deslocarão os 220 km, todos os finais de semana, para dar assistência aos cristãos nestes distritos. Este contexto me faz lembrar mais uma vez o nosso fundador quando escreveu que “quando Deus quer uma obra, os obstáculos são meios”.

Louvado seja Deus, porque através destes dois confrades, levamos a coragem, o ânimo, a alegria e o evangelho. É a experiência do desaprender para aprender. Peço aos confrades que estejam em comunhão com esta missão através da oração e de gestos de solidariedade para com os nossos irmãos.

Que Nossa Senhora do Sagrado Coração, a mãe de Jesus, derrame suas bençãos sobre estes nossos missionários e mais esta missão da Congregação

Pe. Edvaldo Rosa de Mendonça, MSC
Superior Provincial