Como havia dito no meu artigo anterior, nem só de reuniões vive um Capítulo Geral. Tivemos alguns momentos de passeio e descanso conforme convém a uma assembleia como esta. Os momentos livres eram os intervalos durante o dia, entre uma sessão e outra do Capítulo e nos fins de semana. A partir do almoço de sábado ficávamos livres para passeios pessoais ou em pequenos grupos conforme a possibilidade de cada um. Aos domingos tínhamos passeios programados, que nos brindaram nossos confrades espanhóis. No primeiro sábado eu e vários confrades aproveitamos para visitar ao já mencionado museu de San Lorenzo del Escorial. J falei um pouco desta construção maravilhosa. Mas vale reforçar que algumas horas de visita representam um banho de cultura que podemos ter através das centenas de obras de arte espalhadas pelas tantas salas. Também se pode ver no subsolo várias maquetes do edifício e um sem número de instrumentos de trabalho que os arquitetos, mestres de obras, pedreiros, pintores, usaram para construção. Tudo muito impressionante. Mas algo me chamou a atenção de maneira especial: foi o panteão onde estão sepultados vários e emblemáticos reis e rainhas da Espanha. Fica numa das áreas do subsolo, e é todo revestido de mármore escuro, com lustres de cristais, fazendo do ambiente algo apoteótico. Na mesma área, em direção oposta está o panteão dos infantes. Uma enorme área com dezenas e dezenas de túmulos de príncipes e filhos da mais alta nobreza espanhola que morreram ainda crianças. Isto revela a altíssima taxa de mortalidade infantil naquela época. Se os filhos da monarquia e da nobreza, que tinham à sua disposição todos os recursos médicos disponíveis na época morriam às centenas tão precocemente, o que seria das crianças plebeias, de famílias pobres? Depois da visita ao museu saímos para caminhar um pouco pela cidade que estava justamente naquele fim de semana celebrando a festa da padroeira, com uma movimentação a mais do que se tem normalmente.
No dia seguinte, tivemos nosso primeiro passeio programado. Em dois ônibus fretados, nos dirigimos à Ávila, terra da grande mística e doutora da Igreja, Santa Tereza. De longe se avistam as enormes muralhas que fizeram a fama daquela cidade como uma das bem mais protegidas da Espanha, pois afinal ela se localizava em pleno campo de batalha de muitas e sangrentas guerras. Visitamos o convento onde Santa Tereza morou por trinta anos, e de onde partiu para muitos outros lugares empreendendo sua reforma na Ordem das Carmelitas. O convento é uma construção bem medieval, pobre e bem apertado. Na entrada, uma frase de Tereza que me chamou a atenção: “La vida es una noche dormida en una mala pensión”. Depois da visita ao convento que fica bem fora das muralhas, duas guias nos levaram para conhecer algumas partes de Ávila, como as ruas principais e a belíssima catedral. Apesar de pouco tempo deu para desfrutar bem. Em seguida saímos em direção à Segóvia. No meio do caminho, pausa pro almoço num restaurante de comidas típicas. Muita paella e bom vinho nos esperavam. Em Segóvia fomos imediatamente para a igreja onde esta sepultado São João da Cruz, que sendo um dos mais profundos místicos da Igreja, foi companheiro de Santa Tereza na reforma dos Carmelitas. Depois disso um rápido passeio ao centro da cidade, belíssimo com o seu aqueduto romano de 2000 anos. Assim terminamos nosso primeiro fim de semana de passeio para retomar mais uma semana de Capítulo.
No segundo sábado livre uma grande parte dos confrades dirigiu-se à Madrid. De trem, levamos 1 hora até a capital Espanhola. Da estação fomos de metrô até a Praça do Sol, bem no centro efervescente desta linda e multicultural metrópole. Daí se pode caminhar e aproveitar a beleza de vários pontos da cidade: o Palácio Real, a Catedral, etc. Em cada rua muitas lojas de lembranças e muitos restaurantes com a maravilhosa comida madrilenha. Um ponto que visitamos e que realmente valeu a pena foi o Mercado San Miguel. Uma espécie de antigo mercado central de Madri, com uma linda arquitetura e com comidas das mais variadas, tanto da espanha como de outros lugares do mundo. É um verdadeiro deleite gastronômico, ótimo para quem quer fazer dieta ou manter o peso. Imperdível.
No dia seguinte, outro passeio programado. Desta Vez à Toledo, que ficava há uns 150 km de onde nos encontrávamos. Toledo é uma das cidades mais impressionantes da Espanha, talvez da Europa, pelo fato de nela durante séculos terem convivido pacificamente, judeus, cristãos e muçulmanos. As marcas desse convívio estão na arquitetura, no comércio, nas sinagogas, mesquitas e igrejas. Tudo muito impressionante. A Catedral Primaz de Toledo é um verdadeiro espanto,pelo tamanho, pela beleza arquitetônica e pela riqueza em obras de arte sacra. Não há quem não fique impressionado ao entrar naquela imensidão. Toledo é a terra de um dos mais famosos pintores espanhóis: El Greco. Muitas obras de arte desse gênio se pode ver em várias igrejas e museus, inclusive a sua própria casa que funciona como museu também. Isso sem contar a referência onipresente de D. Quixote de La Mancha, e seu escudeiro Sancho Pança que guiados pela genialidade de Cervantes, passaram poucas e boas em Toledo. Enfim, a cidade, sempre lotada de turistas, é um convite ao deslumbramento e admiração. Em cada lugar que se olha há cultura. Um lugar que não se deve deixar de visitar quando se está na Espanha. Com essa visita encerramos os passeios que nos programaram os confrades espanhóis. Somos muito agradecidos, pois realmente valeu a pena. Alguns seguiram para outros lugares depois do Capítulo. Eu fui para Portugal, conhecer a terrinha de nossos antepassados. Mas, essa aventura eu conto depois.
Abraços.