No dia 23 de setembro passado nós MSC que participávamos do 24º Capítulo Geral de nossa Congregação que tinha como tema “Obediência e Missão” e como lema “Confiando em tua Palavra lançarei as redes”, encerramos esse importante evento com uma missa na paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Madri. Numa casa próxima a esta bela igreja que além de ser paróquia é também santuário, os MSC têm sua sede provincial da Espanha. Para esclarecer: Capítulo Geral é um termo utilizado pelas congregações e ordens religiosas para dizer assembleia geral, que é o órgão máximo deliberativo e normalmente eletivo do Superior Geral e seu Conselho. No nosso caso, o Capítulo Geral acontece a cada seis anos, e recebe representantes de todas as entidades da Congregação. Nesse ano estivemos em 78 participantes e outros 20 trabalhando nos diversos serviços tão necessários, como tradução, liturgia, secretaria, etc. Como sempre, éramos de muitas e variadas nacionalidades: da Coreia ao Peru, do Brasil a Papua Nova Guiné, da Índia a Bélgica, e assim vai. Para resolver essa complexa situação linguística, apela-se para a tradução simultânea ou não feita em três idiomas: Francês, Espanhol e Inglês. Aí cada um se acomoda como pode.
Foram três semanas intensas, de reuniões, palestras, votações, decisões e muita convivência dentro do permitido pela mencionada complexidade linguística. Estávamos numa pequena cidade espanhola, a 50 km da capital, chamada San Lorenzo del Escorial. Seria uma pequena cidade a mais na Europa se nela não houvesse um mosteiro de dimensões impressionantes, mandado construir pelo rei Felipe II no século 16. Esse mosteiro fica num dos pontos mais altos da cidade podendo ser visto mesmo antes de se entrar no perímetro urbano. Só para não dizer que estou exagerando vou passar alguns números relativos a essa construção: sua superfície é de 33.327 metros quadrados. Tem 16 pátios, 88 fontes, 13 oratórios, uma basílica, 15 claustros, 86 escadas, 9 torres, 1200 portas e 2673 janelas. Isso sem contar os magníficos jardins externos e o bosque que o circunda. Essa construção nababesca e luxuosa foi entregue à responsabilidade da extinta e então poderosa ordem dos Jerônimos (que eram donos de outro mosteiro igualmente famoso e nababesco em Lisboa). Além de servir de mosteiro e panteão da monarquia espanhola era também palácio real onde a corte veraneava. Hoje abriga várias instituições que vão desde um museu muito bonito, um panteão dos reis da Espanha, uma escola, uma comunidade religiosa da Ordem de Santo Agostinho, entre outras coisas. O Papa Bento XVI esteve nesse mosteiro poucos dias antes do nosso capítulo para um encontro com religiosos por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, celebrada em Madri. A basílica que mencionei acima é outra maravilha que também está dentro do prédio. Infelizmente eu não pude entrar nela, porque no exato momento que eu cheguei para a minha apreciação turística, havia um casamento e a noiva já estava a meio caminho do altar. Como eu não era convidado nem nada mais relativo ao casório, tive que me contentar de olhar de longe. Por causa desse mosteiro, essa cidadezinha é tão famosa e goza de uma alta movimentação turística. Foi então nessa cidade que realizamos o capítulo. Obviamente que nossas três semanas de encontro não foram nesse cenário palaciano-monacal. Ficamos alojados numa bonita e confortável casa de retiro da Congregação dos Padres dos Sagrados Corações. A título de curiosidade a dita casa ficava a 10 minutos a pé do tal mosteiro. Eu que há quase um ano incorporei a minha rotina o hábito de uma hora de caminhada diária, tive o privilégio de poder desfrutar dessa bela paisagem por quinze dias enquanto caminhava junto com Pe. Maristelo fazendo ao mesmo tempo algumas digressões ora capitulares, ora teológicas, e na maior parte do tempo jogando conversa fora mesmo que, aliás, também faz bem.
Mosteiro à parte voltemos ao capítulo. Não vou entrar em detalhes das reuniões ou de outras atividades mais específicas. Isso tudo já está publicado no site da Casa Geral MSC. Trabalho feito com muita competência pele Pe. Julius Kumar, nosso fotógrafo oficial. Falo sim das impressões novas que pude viver nesse encontro. Primeiro o fato de poder rever alguns confrades conhecidos de outras partes desse nosso imenso planeta. Sempre há histórias e novidades para saber. Depois tivemos uma informação que muito me impressionou: Os MSC em sua totalidade são 50% asiáticos. Achei isso muito interessante e ao mesmo tempo surpreendente. Acredito o Pe. Chevalier, nosso fundador, jamais imaginou um cenário desses para sua pequena Congregação, como ele a chamava. São sinais vivos de que a Ásia não só para a Congregação, mas para a Igreja deixou de ser representante de uma minoria, mas que apesar de ainda não ser majoritariamente cristã, dá sua resposta com uma vida consagrada bastante participativa. No nosso capítulo isso ficou evidente, olhando para os rostos dos filipinos, indonésios, japoneses, coreanos e, sobretudo, dos indianos. Aliás, a Índia hoje tem 84 MSC. Um número muito expressivo se pensarmos que até 30 anos atrás ainda não tínhamos pisado naquele país. A América representa uma boa parte da Congregação. Somos uns 300 mais ou menos. E o que é melhor, ainda temos vocações.
O tempo dedicado à convivência era sempre depois das 10 da noite, porque o horário espanhol para refeições é bem dilatado, para não dizer surreal. Só para saber: o jantar era às 9 da noite. Mas tivemos momentos muito divertidos, parte deles graças ao Pe. Vicente Buitrago da Venezuela, conhecido pelo seu ótimo e contagiante humor, e mais ainda pelo provincial da Holanda, Pe. Jan Jetse Bol que além de provincial é um artista que quase nos matou de tanto rir com suas encenações. Isso sem contar as piadas do Pe. Geral. Mas uma menção honrosa deve ser feita ao Pe. Julius Kumar, da Índia, nosso já mencionado fotógrafo, pela sua performance de Michael Jackson, corajosa e impagável! Ter bons horários de recreação é fundamental num evento desses, tanto para descontrair como para relaxar das tensões acumuladas pelas horas de reunião e debates.
Assim, vivemos mais um Capítulo Geral. Esperamos e confiamos que a nova administração levará adiante as decisões capitulares e sirvam de ponto de unidade para toda a Congregação. Continuamos nossa missão, cada qual em sua realidade, animados de que apesar dos desafios normais, nós MSC temos um bonito futuro , sobretudo se formos fiéis ao carisma herdado do nosso fundador e sobretudo se formos dóceis à ação do Espírito Santo na vida das nossas comunidades. Aproveito para agradecer a todos que com afinco trabalharam para que tudo desse certo, sobretudo a administração geral e os confrades da Província da Espanha, que muito bem nos acolheram em sua linda terra, inclusive nos proporcionando lindos passeios, que serão tema do nosso próximo artigo. Até a próxima.