Tu, segue-me! (Jo 21,20-25)

É impossível, de fato, ignorar o visível contraste entre Pedro e João. O velho pescador extrovertido e o quase adolescente tímido. O seguidor cheio de impulsos e o discípulo que ama. Dentro do grupo extremamente heterogêneo dos Doze, o próprio Pedro tem consciência de suas diferenças.

É mesmo possível que tenha havido alguma polêmica entre os primeiros cristãos acerca do primado de Pedro, levando-se em conta o alto prestígio de que o apóstolo João gozava entre as Igrejas do Oriente, ainda que nada disso transpareça no texto do próprio evangelista.

Sem dúvida, existe uma clara antítese entre Simão Pedro, recuperado depois da tríplice negação, e o discípulo que Jesus amava, o qual jamais se afastou e permanecera fiel até a cruz do Calvário. “Mas a antítese não quer dizer antagonismo – garante André Scrima. É simplesmente um caminho aberto para penetrar nas profundezas e conhecer aquele que se revela.”

Nesta última cena do 4ºEvangelho, Pedro se preocupa com João: – “O que vai ser dele?” A resposta de Jesus mostra a Pedro que esta preocupação é desnecessária, mas a tarefa que cabe ao velho pescador é não mais se desviar do Mestre: “Tu, segue-me!” O mesmo imperativo do primeiro encontro com os discípulos é, agora, repetido na última cena do Evangelho: “Segue-me!” (Cf. Mt 4,19; M 1,17)

Os antigos autores espirituais sempre insistiam na “sequela Christi” – o seguimento de Cristo. Esta é a síntese do cristianismo: seguir Jesus, guardar suas palavras, imitar seus gestos, tornar-se outro Cristo. Cristificar-se. “Amai-vos como eu vos amei.” (Jo 15,12) “Dei-vos o exemplo para que façais assim como eu fiz para vós.” (Jo 13,15)

Em sua 2ª Carta, Pedro chama a atenção dos fiéis para a importância desse chamado do Senhor: “Cuidai cada vez mais de confirmar a vossa vocação e eleição. Procedendo assim, jamais tropeçareis”. (2Pd 1,10)
Orai sem cessar: “A minha alma te segue de perto!” (Sl 63,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.