Todos eram curados… (Mc 6,53-56)

As multidões que acompanhavam Jesus pelas estradas da Palestina romana oferecem um panorama lamentável: paralíticos e leprosos, cegos e surdos, pessoas desequilibradas e possessas. Nada muito diferente de nosso tempo, com outra multidão de depressivos, dependentes de tranquilizantes, gente estressada, que mal consegue dormir à custa de soníferos. E a longa fila dos postos de saúde, autêntica procissão da miséria humana…

Uma rápida varredura na TV revela outra legião de doentes: exibicionismo, competição, exposição do sexo, louvor à violência, uma feira de vaidades. E por trás das gargalhadas, a mais profunda angústia humana…

Existe cura para uma sociedade doente? Eis o que ensina Macário, o Grande:

“Se nos parece difícil, até mesmo impossível, converter-nos dos inumeráveis pecados cujo hábito nós contraímos, lembremos e levemos em conta como o Senhor, em sua bondade, quando ela vivia aqui em baixo, devolveu a vista aos cegos, restabeleceu os paralíticos, curou todas as enfermidades, ressuscitou mortos já quase decompostos e desfeitos na terra, fez ouvir os surdos, expulsou de um homem uma legião de demônios, e devolveu ao bom senso um outro que mergulhara em terrível demência.

Quanto mais – comenta Macário – o Senhor não iria converter uma alma que se volta para ele, que implora sua misericórdia, que pede sua ajuda?! Ele a conduzirá para a alegria da impassibilidade, para o restabelecimento de todas as virtudes e a renovação do espírito. Ele lhe dará a saúde, a visão espiritual, a paz dos pensamentos. Ele a libertará da cegueira, da surdez e da morte, da falta de fé, da ignorância e da ausência de temor, conduzindo-a para a sabedoria das virtudes e a pureza do coração.

Aquele que criou o corpo – comenta o autor – também fez a alma. E do mesmo modo que, durante sua estada na terra, em sua terna bondade, ele concedia liberalmente, como bom e único médico, tudo o que desejavam aqueles que vinham a ele, pedindo-lhe o socorro e a cura, assim também o Senhor age igualmente no campo espiritual.

Se o Senhor experimentou tal compaixão pelos corpos corruptíveis e mortais, se ele concedeu a cada um, de bom grado e com suave bondade, aquilo que lhe pediam, quanto mais ele concederá prontamente e com pressa a libertação e a cura da alma imortal, incorruptível e inalterável, que a ignorância, a incredulidade perniciosa, a ausência de temor e as outras más paixões tornaram enferma, se ela se aproxima dele, suplica sua ajuda, lança o olhar sobre sua misericórdia, deseja receber dele a graça do Espírito em vista de sua redenção e salvação, da libertação de toda malícia e de toda paixão?

O mundo tem jeito. Jesus permanece à nossa disposição para curar e libertar…

Orai sem cessar: “O Senhor cura os corações atribulados…” (Sl 147,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.