Tocou nele… (Lc 5,12-16)

Sim, Jesus estende a mão e toca o leproso. Toca o intocável. Toca o homem de quem todos fugiam, mantendo distância. E Jesus o cura num relance. Que acontece ali? Sigamos a visão do Pe. Serge Traore:

“Para curar um leproso, dizem-nos que Jesus ‘estendeu a mão e o tocou’. Que audácia em tocar um leproso! Teria verdadeiramente a necessidade de tocá-lo? Absolutamente! Ele poderia curá-lo sem o tocar. Mas, refletindo bem, direi com certeza: sim! Naquele momento, ele tinha necessidade de fazê-lo, do contrário não o teria feito. É significativo o fato de que os evangelistas atestam que Jesus “estendeu a mão”. Bastaria dizer: “ele o tocou”.

Teríamos compreendido que ele havia estendido a mão para o tocar.

A descrição é importante. Ela nos transporta ao coração de Jesus. Ao estender a mão, ele quer, deseja, ele sente isto como uma necessidade de tocar o outro. E também ele experimentará uma sensação. Ele toca a lepra! Que sensação poderia ser essa? Eu me pergunto isto. Quanto ao leproso, ele sente que a lepra o deixa e sente-se purificado: “No mesmo instante, a lepra o deixou e foi purificado”. Eu imagino uma sensação de libertação, de bem-estar, de limpeza, de renascimento. A cura se opera nessas sensações tácteis. A subida para as alturas é possível quando o homem nas profundezas é capaz de experimentar fortes sensações de vida.”

Este é o nosso Deus. Diferente do Deus altíssimo, transcendente, fora de nosso alcance, que se apresentava oculto na nuvem do Antigo Testamento, o Deus na carne, Jesus Cristo, quer tocar e ser tocado. Um toque em suas vestes, e está curada a mulher com o fluxo de sangue. Um toque de Jesus nos olhos, e o cego passa a ver. Um toque nos ouvidos e na língua, e o surdo-mudo ouve e fala.

Como bem observa o Pe. Serge Traore, “esta força não circula em volta dele, não é como um fruto sobre uma árvore. Esta força brota do contato físico com o humano sofredor. O contato produziu um novo nascimento, uma nova Criação”.

E pensar que Jesus espera por nós na Eucaristia, não só para ser tocado, mas para ser tragado, como nosso alimento. Ele já disse: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”. (Jo 6,53)

Orai sem cessar: “Se ao menos tocar em seu manto, serei curado…” (Mt 9,21)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.