Teu Nome… (Sl 145 [144])

O Nome de Deus é algo tão sublime, que um dos Dez Mandamentos o envolve de nobreza: “Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão”.(Dt 5,11) Esta salvaguarda foi levada ao extremo de adotar, para o Nome do Senhor, uma grafia impronunciável: o Tetragrama sagrado YHWH. No texto da Escritura, as quatro letras eram lidas como SenhorAdonai. Mantinha-se distância entre nossos lábios impuros e a santidade do Nome de Deus. Aliás, recentemente, um documento da Santa Sé exortava os católicos a não utilizarem a palavra “Javé” em seus cânticos e preces, como atitude respeitosa para com os irmãos do judaísmo.

Não se trata, porém, de atribuir a qualquer palavra um poder mágico deflagrado por sua pronúncia ou sua grafia. Na mentalidade bíblica, nome e pessoa são duas realidades inseparáveis. Não apenas como a veste e o homem, mas como a pele e a carne. É neste sentido que Paulo repete o primitivo hino litúrgico da Igreja: “Ao nome de Jesus, se dobre todo joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra”. (Fl 2,10 – BJ).

Obviamente, Deus não cabe em um nome. Não é possível encerrá-lo em uma palavra, nem tampouco fazer de seu nome uma espécie de mantra ao modo dos hindus. No entanto, como observa uma nota da TOB, o nome de Deus nos serve como um “memorial”, pois nos ajuda a não perder sua memória, permitindo-nos invocá-lo em nossas preces: “Este é meu nome para sempre, e assim me invocareis de geração em geração”. (Ex 4,15b)

As coisas ficaram mais fáceis para os cristãos, que se dirigem ao Pai [Abbá] por Jesus, o Filho, no Espírito Santo. Quando o Filho de Deus se encarnou, nascendo de Mulher, recebeu um nome humano, Jesus, que alude diretamente à salvação oferecida por Deus [Jesus = Yahweh salva, Deus é salvação].

Este nome foi indicado pelo anjo de Deus na Anunciação a Maria de Nazaré: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”. (Lc 1,31) Como é de praxe na Escritura, o nome aponta para a missão. No caso de Jesus, a salvação da humanidade. Várias vezes, na Bíblia, Deus muda o nome de seus enviados: Abrão torna-se Abraão, Simão torna-se Cefas, Saulo será Paulo. Daí o antigo costume de mudar de nome na profissão religiosa.

Pessoalmente, prefiro dirigir-me a Deus com o nome de Pai, tal como Jesus o fez na oração do Pai-Nosso. Muitos o chamam de “Senhor”, o que pode prender o orante na posição de servo da casa. Ao invocar a Deus como “Pai”, eu me situo como filho e, naturalmente, disposto a amar e obedecer. Em nosso batismo cristão, nós recebemos o nome de… filhos…

Orai sem cessar: “Santificado seja o vosso nome!” (Lc 11,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.