Dia 24 – Sexta-feira –

Sto. Antônio Maria Claret

Evangelho ( Lc 12,54-59)

Naquele tempo, 54Jesus dizia às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. 55Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece.
56Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente?
57Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?
58Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia.
59Eu te digo: daí tu não sairás enquanto não pagares o último centavo”.

Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

Meditando a Palavra

Até o último centavo! (Lc 12,54-59)

É mais fácil predizer as alterações climáticas que discernir os “sinais dos tempos”. Se sopra o Austro, fará calor. Se há nuvens negras, logo choverá. Mas e os outros sinais?

Os contemporâneos de Jesus conheciam muito bem as profecias antigas, que anunciavam o Messias e os sinais que iriam acompanhá-lo. Na sinagoga de Nazaré, Jesus fez uma lista deles (cf. Lc 4,18-19.) Quando os discípulos de João foram enviados a Jesus, voltaram com um recado que citava os mesmos sinais (cf. Mt 11,4): “Cegos veem, coxos andam, leprosos são limpos, surdos ouvem, mortos ressuscitam e pobres são evangelizados.”

Jesus ainda lhes daria outro “sinal”: o sinal do Profeta Jonas, aludindo à sua própria ressurreição. Após três dias no oceano, lugar dos mortos, devorado por um grande peixe, Jonas é devolvido à vida. Também Jesus ressuscitaria ao terceiro dia, mas os sinais não foram reconhecidos… Todos esses milagres bastariam para provar a divindade de Jesus, que serena a tempestade, muda água em vinho, reanima Lázaro, mas não bastaram para os poderosos de Israel. Corações fechados, conspiraram contra Jesus e o levaram à morte.

Hoje, a situação permanece a mesma. Muitos se fecham ao anúncio da Boa Nova e à mensagem do amor de Deus. Em maio de 2005, estive na Universidade de Viçosa, MG, para uma palestra sobre Fé e Razão. Entre os presentes, havia um grupo de estudantes que se dedicam a aprofundar-se no ateísmo. Pretendem, mesmo, que se possa viver um “ateísmo científico”.

O Vaticano II ensina: “Sem dúvida, não estão imunes de culpa todos aqueles que procuram voluntariamente expulsar Deus do seu coração e evitar os problemas religiosos, não seguindo o ditame da própria consciência; mas os próprios crentes, muitas vezes, têm responsabilidade neste ponto. Com efeito, o ateísmo, considerado no seu conjunto, não é um fenômeno ordinário, antes resulta de várias causas, entre as quais se conta também a reação crítica contra as religiões e, nalguns países, principalmente contra a religião cristã.” (Gaudium et Spes, 19.)

Se os cristãos fossem mais humildes e prestativos, mais caridosos e mais simples, certamente iriam favorecer o reconhecimento de Jesus como nosso Salvador. Somos todos responsáveis. Se ignoramos os sinais de Deus, acabaremos em dificuldades, pois seremos cobrados até o último centavo…

Orai sem cessar: “O meu socorro virá do Senhor!” (Sl 121,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.