DIA 20 DE FEVEREIRO – SEXTA-FEIRA

SEXTA-FEIRA DEPOIS DAS CINZAS

Evangelho (Mateus 9,14-15) 

9 14 Então os discípulos de João, dirigindo-se a Jesus, perguntaram: “Por que jejuamos nós e os fariseus, e os teus discípulos não?”
15 Jesus respondeu: Podem os amigos do esposo afligir-se enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que lhes será tirado o esposo. Então eles jejuarão.

Palavra da Salvação.

 

Meditando a Palavra

Então, eles jejuarão… (Mt 9,14-15)

Nosso mundo vive um tempo de estranhos contrastes. No hemisfério norte, a obesidade infla a população como autêntica epidemia; já no hemisfério sul, mais de um bilhão de pessoas não consegue fazer uma única refeição por dia. Neste contexto, ainda faria sentido falar em jejum?

Podemos aprender algo importante com João Calvino [+1564]:

“Digamos alguma coisa sobre o jejum, pois muita gente, ignorando sua utilidade, pensam que ele não é necessário. E outros, o que é ainda mais grave, rejeitam o jejum como algo inteiramente supérfluo. Ademais, quando não se conhece bem o seu uso, pode-se fazer dele facilmente uma prática supersticiosa.

O jejum santo e reto visa a três diferentes finalidades: primeiro, para domar a carne, a fim de ela não se anime em excesso; a seguir, para mais bem dispor o coração à prece, à oração e outras santas meditações; enfim, para dar testemunho de nossa humildade diante de Deus, quando queremos confessar perante ele o nosso pecado.

Cada vez que temos de rogar a Deus em comum por alguma coisa importante, é bom exortar ao jejum. Foi assim que os fiéis de Antioquia, quando impuseram as mãos a Paulo e Barnabé, juntaram o jejum à oração (At 13,3). Neste tipo de jejum, eles não tinham outro objetivo a não ser mais bem se dispor e se tornarem mais alegres na oração. De fato, quando o ventre está cheio, o espírito não é muito vivaz para elevar-se até Deus; ele experimenta menos uma ardente disposição para a prece e é menos estimulado a perseverar.

Não entendemos como jejum apenas a simples temperança e sobriedade no beber e no comer, mas algo a mais. Esta restrição situa-se em três pontos: na duração, na qualidade dos alimentos e na quantidade.

Não esqueçamos o que diz Joel: isto é, que o jejum não tem valor por si mesmo, diante de Deus, se não é feito na aflição do coração e se o homem não tem um verdadeiro desgosto de si e de seus pecados, em verdadeira humildade.” [In Institution Chrétienne, IV, 12.14ss, Labor et Fides, 1958.]

Sitiado pelo mundo neopagão, o fiel cristão – mais ou menos inconscientemente – acaba envolvido pelos seus costumes, atitudes e contravalores, entre os quais o gosto pelo luxo, pela abundância, a mesa farta, constantes viagens e todo tipo de comodismos e facilidades. Tais benesses são encaradas como “direitos” a serem usufruídos. Natural, pois, que o jejum se torne uma espécie de dinossauro, coisa antediluviana, impensável na vida moderna. E, claro, o diabo gosta…

Orai sem cessar: “Humilhai-vos na presença do Senhor!” (Tg 4,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.