10/02/2019 – Serás pescador de homens… (Lc 5,1-11)

Na visão do biblista Helmut Gollwitzer, a história da Igreja tem seu início nesta passagem do Evangelho. O surgimento da Igreja – diz ele – “não está ligado somente ao evento da Páscoa ou ao de Pentecostes, mas já se manifesta no início da atividade de Jesus. Para que a Igreja nasça, não basta que ‘o povo se comprima para escutar a palavra de Deus’ (Lc 5,1); de fato, a Igreja não tem sua fonte no desejo dos homens, mas na vontade e no chamado de Cristo. Fora deste chamado, podem existir adeptos, mas somente este chamado suscita a Igreja dos apóstolos e dos discípulos”.

Não deixa de ser motivo de espanto que Jesus Cristo, capaz de salvar sozinho a humanidade, tenha preferido convocar auxiliares humanos, frágeis e pecadores, como mediações humanas para o anúncio do Evangelho e o pastoreio de seus discípulos.

O mesmo Gollwitzer comenta: “Se, na epístola aos Efésios, a Igreja nos é descrita como o acontecimento decisivo da história do mundo – pelo qual Deus revela sua infinita sabedoria ‘a todo o Cosmo’ (Ef 3,10) – a pobreza de suas origens é ainda mais chocante. Desta maneira a Igreja toma parte no abaixamento de seu Senhor. Nada de fundação solene, nada de um grande centro onde se forja a história; estes homens são gente humilde, e o cenário de sua vocação nada tem de solenidade: eles lavam as redes, manifestando as decepções de uma pescaria infrutuosa”.

Devíamos prestar atenção no detalhe: Jesus encontra seus primeiros seguidores num cenário de decepção e fracasso: após uma noite inteira de trabalho, eles não haviam pescado peixe algum. Isto devia ser animador para nós quando experimentamos fracassos semelhantes. Aliás, fracassos bem necessários para nos recordar que os eventuais sucessos não se devem a nosso esforço, mas à Graça de Deus.

Por enquanto, Jesus acena a estes humildes pescadores com uma reviravolta: de pescadores de peixes, para pescadores de homens. Mais adiante, já ressuscitado (cf. Jo 21,1511-17), Jesus cobrará uma mudança bem maior: de pescadores para pastores, pois não basta “fisgar” novos fiéis, é imperativo pastoreá-los. Além de pescadores, Cristo procura por pastores…
Orai sem cessar: “A salvação dos justos vem do Senhor!” (Sl 37,39)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.