9/02/2019 – Sequer tinham tempo para comer… (Mc 6,30-34)

Foi assim com Jesus: a multidão sedenta de Deus o cercava e comprimia, buscando-o até mesmo no deserto, onde ele se refugiava com os discípulos. Foi assim com os servidores de Deus, como o Santo Cura D’Ars (que passava 14 horas diárias no confessionário, atendendo aos penitentes), como São Serafim de Sarov (escondido no interior da floresta para conseguir algum tempo de oração pessoal) ou como São Pio de Pietrelcina, que ainda recebe anualmente bem mais de um milhão de visitantes, mesmo depois de morto.

Diante da fome espiritual que a turba manifesta, a fome material de Jesus e de seus discípulos acaba em segundo plano. Aliás, também Jesus tem insaciável sede de almas. Foi assim que S. Teresinha do Menino Jesus interpretou seu brado na cruz: “Tenho sede.” E Jesus acaba matando a sua própria fome quando atrai e seduz uma alma para o Pai, tal como no episódio da Samaritana: “Eu tenho um alimento que não conheceis… Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou.” (Cf. Jo 4,32.34)

Na história da Igreja, é incontável a multidão de servos e servas que dedicaram com tal intensidade a sua vida ao rebanho de Jesus, que acabaram se consumindo e deteriorando a própria saúde física. Eles sabiam que o amor tem consequências… E jamais avaliaram que estivessem fazendo algo desproporcional ao amor que haviam experimentado em sua vida pessoal.

Claro, tal comportamento suscita críticas generalizadas. Surgem rótulos de todo tipo: Exagerado! Fanático! Radical! No entanto, se a mesma dedicação ascética se manifesta em um atleta (à espera de uma medalha olímpica) ou em um artista (atravessando o planeta de norte a sul, de palco em palco, muitas vezes mantido de pé a custa de drogas), estes merecem aplauso e admiração. Só o serviço a Deus incomoda… Só Deus não merece tanta dedicação…

Notar que Jesus se deixa alcançar por quem o busca de alma e coração. Não alega prejuízos pessoais para se furtar ao encontro. Quem busca por Ele, acabará por encontrá-lo. Hoje, a multidão ainda procura. E dá pena ver que tantos se matam por um alimento que não sustenta (cf. Is 55,2). Dinheiro e fama, prazeres e anestesias – nada pode matar nossa implacável fome do eterno.

A quem estamos procurando?

Orai sem cessar: “Procurar-me-eis e me haveis de encontrar, porque de todo o coração me fostes buscar!” (Jr 29,13)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.