Sem saber como… (Mc 4,26-34)

Eis o homem diante de um mistério: lançou uma semente e foi dormir. E a semente brota e cresce, sem que o semeador possa explicar este milagre. Um dinamismo interior orienta e realiza o processo da germinação. Haverá alguém que não dorme – nem de noite, nem dia – por trás de tudo isso? O comentário é de Hans Urs Von Balthasar:
“São duas as parábolas sobre o crescimento do Reino de Deus, narradas por Jesus no Evangelho. A intenção das duas parábolas é diferente. A primeira põe o acento sobre o próprio crescimento da semente. O cultivador não dá ao grão a força de crescer, nem pode influenciar o crescimento em suas sucessivas etapas: ‘por si mesma, a terra produz seu fruto’.

Não que o homem nada tenha a fazer: ele deve preparar a terra e lançar a semente. Entretanto, não é ele quem executa o trabalho principal, mas Deus – e é isto que a parábola sublinha! – enquanto o homem ‘dorme ou se levanta’, um dia após o outro.

O Reino de Deus tem suas leis próprias, que não lhe são impostas pelo homem; não é um produto da técnica. O germe, a erva, a espiga, o grão, o tempo de amadurecer – tudo isto se encontra do lado da estrutura própria do Reino, não do lado do desempenho humano.

É o que mostra a segunda parábola: o fruto desenvolvido, que de início parecia ao homem ridiculamente pequeno, revela-se finalmente como muito maior que tudo o que o próprio homem teria produzido.

E a seara? Será a messe de Deus, mas em favor do homem que preparou o solo e lançou a semente. Deus colhe, como diz o preguiçoso da parábola dos talentos, ‘onde ele não semeou’, mas, no fundo, para um e para o outro, pois ele estabelece o servo trabalhador sobre um grande domínio.”

Esta certeza deve trazer a todos nós uma dose de serenidade: não somos os “donos” do Reino, nem temos a chave milagrosa de seu crescimento. Os vários “departamentos” desse Reino – a família, a escola, a paróquia, a sociedade maior – estão aos cuidados de um Senhor que conhece os segredos da plantação. Não sabemos como, mas ele sabe…

E assim é: nunca “saberemos”. Não é da nossa conta. O que nos cabe é semear e deixar que o Senhor da messe providencie a colheita. Não podia ser mais simples…

Orai sem cessar: “Felizes vós que semeais…” (Is 32,20)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.