Se os achar vigilantes… (Lc 12,35-38)

A vida do cristão é permanente espera e expectativa do Senhor, é por natureza um tempo de vigilância. Se os humildes pastores de Belém ouviram dos anjos o convite para a gruta, é que eles velavam durante aquela noite. Dorminhocos não ouvem convites…

Naturalmente, não se trata de uma vigília tensa, como soldados sitiados que temem um iminente ataque noturno. Muito ao contrário, trata-se daquela expectativa jubilosa de um povo que tem como certa a vinda do Senhor. Enquanto Ele não chega, a noiva ansiosa se atavia com flores de laranjeira. E os amigos do noivo afinam seus instrumentos. O maior da casa, o mordomo previdente, já terá encomendado o vinho capitoso.

Um de meus cânticos – Vigia esperando a aurora -, gravado duas vezes pelo Pe. Jonas Abib, fala exatamente do “vigia que espera pela aurora”. Imagem de cada fiel que se sente responsável pelo anúncio da Boa Nova. Hoje, ofereço esta letra para sua meditação:

Vigia esperando a aurora,

Qual noiva esperando o amor,

É assim que o servo espera

A vinda do seu Senhor!

1. Ao longe, um galo vai cantar seu canto,

O sol no céu vai levantar seu manto,

Mas na muralha eu estarei desperto,

Que já vem perto o Dia do Senhor.

2. A minha voz vai acordar meu povo,

Louvando a Deus, que faz o mundo novo.

Não vou ligar se a madrugada é fria,

Que um novo dia logo vai chegar…

3. Se é noite escura, acendo a minha tocha.

Dentro do peito, o Sol já desabrocha.

Filho da luz, não vou dormir: vigio.

Ao mundo frio vou levar o Amor!

Orai sem cessar: “Eu te estabeleci como sentinela para a Casa de Israel.” (Ez 33,7)

Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.