Dia 28 – Terça-feira

São Simão e São Judas Tadeu

Evangelho ( Lc 6,12-19)

12Naqueles dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus.
13Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos:
14Simão, a quem impôs o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;
15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota;
16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor.
17Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia.
18Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados.
19A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos.

Palavra da Salvação — Glória a vós, Senhor.

Meditando a Palavra

Uma força que curava a todos… (Lc 6,12-19)

Certamente, a missão primordial de Jesus consistiu em dar sua vida pela humanidade, reatando amorosamente nossa ligação com o Pai. Para atrair o povo a Deus, Jesus também ensinava e nos transmitia um conjunto de verdades em cujo coração está a revelação da paternidade divina: Deus é Pai. Yahweh é Abbá.

Dentro desse contexto, como entender a figura do Jesus Médico? Segundo as palavras dele mesmo, os gestos de cura e de libertação são “sinais” de que o Reino de Deus já estava entre nós. Daí o teor de sua resposta a João, através dos discípulos do Batizador: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova”. (Lc 7,22) A Boa Notícia oferecida por Jesus ia muito além da simples salvação das almas…

Ao longo da História, em diferentes religiões e grupos humanos, sempre existiram pessoas com excepcionais dons de cura, utilizando ou não elementos da matéria, como vegetais e minerais, e adotando variadas técnicas. Em Jesus, porém, atuava uma força ou poder [dýnamis, no texto grego de São Lucas 6,19] que superava toda experiência anterior e ia muito além de uma faculdade meramente humana.

Caso exemplar foi o daquela mulher que há 12 anos sofria de uma hemorragia e, tocando, pelas costas, a túnica de Jesus, foi prontamente curada. E Jesus declara: “Alguém me tocou. Eu senti uma força [égnon dýnamin] saindo de mim” (cf. Lc 8,46). Logo, trata-se de uma cura “involuntária” realizada no simples contato com o Filho de Deus.

Em certas passagens do Evangelho, registra-se uma espécie de “estremecimento” [cf. gr. embrimómenos], certo “frisson” no corpo de Jesus, no momento de uma cura. Do mesmo modo, ao contemplar a multidão sem pastores, Jesus experimenta uma reação física de compaixão [cf. Mt 6,36: esplagnísthe]. Não será exagero entender que é exatamente o amor – um amor entranhado, visceral! – que leva Jesus a curar e regenerar o físico e o espiritual nas pessoas que atravessavam seu caminho.

A leitura atenta dos Evangelhos mostra que poder similar foi confiado por Jesus a sua Igreja. Nos Atos dos Apóstolos este dom é inegável. Não devemos deixá-lo na sombra…

Orai sem cessar: “Não temerei mal algum, pois estás comigo!” (Sl 23,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.