DIA 6 DE FEVEREIRO – SEXTA-FEIRA

SÃO PAULO MIKI E COMPANHEIROS, MÁRTIRES

Evangelho (Marcos 6,14-29)

Naquele tempo, 6 14 o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tornara célebre. Dizia-se: “João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder de fazer milagres opera nele”.
15 Uns afirmavam: “É Elias!” Diziam outros: “É um profeta como qualquer outro”.
16 Ouvindo isto, Herodes repetia: “É João, a quem mandei decapitar. Ele ressuscitou!”
17 Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado.
18 João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido ter a mulher de teu irmão”.
19 Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, não o conseguindo, porém.
20 Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente o ouvia.
21 Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galiléia.
22 A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o rei à moça: “Pede-me o que quiseres, e eu to darei”. 23 E jurou-lhe: “Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino”.
24 Ela saiu e perguntou à sua mãe: “Que hei de pedir?” E a mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”.
25 Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: “Quero que sem demora me dês a cabeça de João Batista”.
26 O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar.
27 Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere,
28 trouxe a sua cabeça num prato e a deu à moça, e esta a entregou à sua mãe.
29 Ouvindo isto, os seus discípulos foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro.

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

Vinde a um lugar deserto! (Mc 6,30-34)

Pouco sabemos sobre o deserto. Em geral, pensamos nele como um inóspito areal, onde o vento e as tempestades de areia se alternam com o dia tórrido e as noites gélidas. Na verdade, tememos o deserto. Quando não há ninguém à vista, somos constrangidos a olhar para nosso interior…

Quando Charles de Foucauld abandonou as luzes de Paris e mergulhou na solidão de Tamanrasset, no deserto de Marrocos, ela sabia muito bem a quem procurava. Ou melhor: Quem procurava por Charles… O deserto era o lugar do encontro definitivo com Deus. Ali, na áspera ermida de pedras, que ele ergueu com as próprias mãos, Jesus Cristo seria o absoluto, sem competidores. Joelhos dobrados diante da Hóstia consagrada, Charles se limitaria a amar e ser amado…

No Evangelho de hoje, o “deserto” significava para o discípulo uma rara oportunidade de descanso, longe da multidão. Mas seria também o desejado tempo de intimidade com o Mestre, quando ele ensinava os mistérios do Pai em linguagem “traduzida” (cf. Mt 13,36), acessível, sem figuras. E o discípulo precisa do deserto. Não pode viver todo o tempo tragado pela multidão. Não pode ser arrastado pela enxurrada a que chamam de “civilização urbana”. Afinal, como dizer ao povo a Palavra de Deus, se não temos tempo para escutar o que Deus nos quer falar?

Na prática – confessemos com toda a sinceridade -, não é só para Deus que não temos tempo. A mãe já não tem tempo para os filhos. O esposo não tem tempo para a esposa. Nem mesmo o chefe quer ser incomodado pelos subordinados. Estamos tão atarefados em realizar nossos projetos (e os inadiáveis projetos das empresas, aqui incluída a própria instituição eclesial!), que mais parecemos um barquinho de papel arrastado pela correnteza da sociedade…

Falamos tanto em liberdade e em direitos humanos, mas procedemos como escravos que se deixam seduzir e arrastar pelos projetos daqueles que regem o mercado e a economia, indiferentes à sede do coração humano.

Ouviremos um dia a voz de Deus que nos chama ao deserto? Ouviremos o convite de amor que anseia por nossa intimidade? Seríamos capazes de desligar a TV, cancelar compromissos, rasgar a agenda?

Ou continuaremos nosso caminho sufocados pelo caos tecido de ruído e buzinas, rock e sirenes, respirando ao ritmo de nossos celulares? Seremos sempre dentes da engrenagem impiedosa que ocupa o coração humano, fechando-o aos apelos do amor que morre de fome ali na esquina?

No silêncio do deserto, Deus espera por nós…

Orai sem cessar: “Vou abrir um caminho em pleno deserto!” (Is 43,19b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.