DIA 10 DE NOVEMBRO – SEGUNDA-FEIRA

SÃO LEÃO MAGNO

Evangelho (Lucas 17,1-6)

17 1 Jesus disse também a seus discípulos: “É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm!
2 Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos.
3 Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe.
4 Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás”.
5 Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta-nos a fé!”
6 Disse o Senhor: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: ‘Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá’”.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Perdoa-lhe! (Lc 17,1-6)

Este Evangelho nos apresenta um dos incômodos imperativos de Jesus: perdoar a quem nos pede perdão. No Pai-Nosso, a única oração que o Mestre nos ensinou, ficou registrada a condição para sermos perdoados de nossos pecados: perdoar igualmente quem pecou contra nós.
Quem comenta esta passagem é Anthony Bloom, metropolita do Patriarcado de Moscou:

“Não é que Deus não nos queira perdoar, mas se nós recusamos o perdão, colocamos em xeque o mistério do amor, nós o recusamos e já não há no Reino um lugar para nós. Não podemos ir adiante se não somos perdoados, e não podemos ser perdoados enquanto não perdoamos a todos que nos fizeram mal.

Isto está perfeitamente claro, límpido e preciso, e ninguém pode imaginar que está no Reino de Deus, a ele pertencer, se permanece em seu coração a recusa de perdoar. Perdoar a seus inimigos é a primeira característica do cristão, a mais elementar. Se falhamos nisso, não somos absolutamente cristãos e ainda estamos errantes no ardente deserto do Sinai.

Perdoar, porém, é algo extremamente difícil. Seria relativamente fácil conceder o perdão em um momento em que sentimos o coração pleno de mansidão ou num impulso de afetividade. Mas pouquíssima gente sabe como fazer para não o tomar de volta. De fato, o que chamamos de perdão consiste muitas vezes em pôr o outro à prova, nada mais que isso. Esperamos com impaciência os testemunhos do arrependimento, queremos estar seguros de que o penitente não é mais o mesmo, mas esta situação pode durar uma vida inteira, e nossa atitude é absolutamente contrária a tudo aquilo que o Evangelho ensina e, na verdade, tudo o que ele nos ordena.

A lei do perdão não é um estreito riacho na fronteira entre a escravidão e a liberdade; ela é larga e profunda: é o Mar Vermelho. Os hebreus não o atravessaram graças a seus próprios esforços, em barcos feitos pela mão do homem. O Mar Vermelho se abriu pelo poder de Deus. Foi preciso que Deus os ajudasse a atravessar. Mas, para ser conduzido por Deus, devemos comungar desta qualidade de Deus que é a capacidade de perdoar.”

Todos sonham com um mundo fraterno e pacificado, muitos invocam a pomba da paz, mas não são tão numerosos os que renovam, dia após dia, a decisão de perdoar os agressores. Não um perdão ocasional, mas perdoar setenta vezes sete, isto é, sempre. Sem esse perdão, a paz permanecerá uma utopia inatingível…

Orai sem cessar: “O Senhor vai nos perdoar de novo.” (Mq 7,19)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.