Santuário das Almas
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A vida se refaz quando se reinventa

Publicado em 12 de janeiro de 2012 \\ Mensagem Pe. Valmir

A título de curiosidade me pus a refletir sobre a vida da águia. Várias vezes, li e ouvi falar dessa ave que nos ensina a pensar a nossa vida e as nossas atitudes. Por isso, procurei conhecê-la um pouco mais para que juntos tiremos algumas lições concretas de vida.

As lições são as mais diversificadas. Ela possui um sistema visual muito apurado, o que nos ensina a olhar para horizonte e para o futuro com esperança e audácia.A mais comum talvez seja a do cuidado que uma tem para com as outras, principalmente nos momentos que elas precisam voar em bando. Trata-se de uma ave solidária. Algumas fazem sacrifício voando à frente das outras para diminuir a força dos ventos contrários e numa sintonia invejável, voam muitas milhas. Quando as da frente se cansam, há um revezamento natural e outras tomam o posto sem perder de vista os objetivos alcançados até ali, porque todas sabem aonde precisam chegar. O destino final é traçado e as metas desejadas tomam um caminho comum, pois todas voam numa única direção. Por isso, os ventos e as intempéries são vencidas porque as mais fortes ajudam as mais fragilizadas. É um verdadeiro espírito comunitário.

Refletindo um pouco mais sobre a vida da águia, descobri que ela é uma das aves mais longevas na natureza.. Algumas chegam até os 70 anos de vida. Está aqui o grande segredo dessa ave tão bela, talvez a mais inteligente entre todas as demais. Para buscar o alimento para sua sobrevivência, duas ferramentas lhe são imprescindíveis: as unhas e o bico sempre afiados. Durante a sua juventude a águia pode aproveitar de sua força e destreza para apanhar o alimento preferido e saboreá-lo com desdém. Quando chega à idade adulta, 40 anos mais ou menos, começam a aparecer as dificuldades e aí então é preciso repensar uma nova forma de sobrevivência. Na força da juventude, tudo é muito fácil e até divertido, mas na idade adulta é preciso pensar e usar a experiência de vida se quiser viver por mais alguns anos. As águias depressivas ,acomodadas, frágeis, desprovidas de coragem, sucumbem ao envelhecimento e acabam morrendo.

Como ave adulta, tudo nela se transforma: as penas começam a ficar pesadas e surgem as primeiras dificuldades para voar e acompanhar o bando. As unhas grandes e tortas já não conseguem agarrar a presa e o bico grande e torto já não tem mais habilidade para rasgar o alimento. É hora de pensar e repensar a vida. É aí que nasce a necessidade de um tempo de reflexão e de tomar algumas decisões. A águia não tem dúvida. Voa para alto de um monte e lá começa um longo período de mudanças. A mudança é sempre dolorida e, às vezes, custa sangue e dor. Mas isso é necessário! Ela começa a arrancar as velhas penas, quebra as unhas e o bico grandes e tortos, atitude de quem quer vislumbrar algo novo. Depois de algum tempo, tudo se cicatriza: crescem as penas, as unhas, o bico e ela começa a voar de novo.

A grande lição que a águia nos deixa, é que a vida não é estática, mas que, de tempos em tempos precisamos reinventar e criar novos caminhos. Que as estruturas precisam ser reinventadas, ainda que seja necessário nos despirmos de nossas ideias e roupagens já surradas pelo tempo. O novo assusta, mas traz vitalidade e novo horizontes se abrem. A alma não pode ser mudada, mas o espírito que nos move, sim. A águia não deixou de ser águia, porque mudou suas penas, unhas e bico, mas redescobriu novos caminhos que lhe deram vida para continuar voando. Pois, seu destino é voar!

Metáfora!!!

Pe. Valmir Teixeira, mSC
Pároco e Reitor do Santuário das Almas