DIA 26 DE DEZEMBRO – SEXTA-FEIRA

SANTO ESTÊVÃO

Evangelho (Mateus 10,17-22)

Naquele tempo, 10 17 Disse Jesus: “Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas.
18 Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos.
19 Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer.
20 Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós.
21 O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão.
22 Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo”.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Sereis odiados… (Mt 10,17-22)

Pregadores de hoje – inclusive os que se autodenominaram bispos e apóstolos! – preferem pregar um “evangelho” hidroaçucarado, oferecendo pílulas douradas e promessas de fama e riqueza. Jesus, em plena contramão, adverte seus seguidores que seriam perseguidos em razão de sua adesão à Boa Nova. Ao que se vê, não entendia de marketing…

Em seu livro “A vida cotidiana dos primeiros cristãos” (Ed. Paulus, 1997), A.-G. Hamman nos dá um quadro da arriscada situação dos fiéis no Império Romano. Era da rua que vinha o ódio maior, numa época em que a opinião pública valia como contrapeso ao poder de César.

“Por mais que o cristão vivesse com todo mundo, frequentasse termas e basílicas e exercesse as mesmas profissões que os outros, ele punha nisso matizes e, às vezes, reservas. Uma parte de sua existência escapava, surpreendia. Sua fé era tachada de fanatismo; sua irradiação, de proselitismo, e sua retidão, de censura.”

O povo logo notava a mudança no convertido ao Evangelho: “A mulher evitava os trajes vistosos e o marido já não jurava por Baco ou por Hércules. Pagar impostos tornava-se suspeito: ‘Ele nos quer dar lições’, diziam esses mediterrâneos. Os cristãos eram conhecidos como escrupulosos a respeito de pesos e medidas. A honestidade se voltava contra eles e os indicava à atenção dos outros”. Numa palavra, ser bom e honesto deixava o cristão em perigo.

Se a ajuda mútua despertava a admiração do pagão, a fraternidade entre senhores e escravos parecia duvidosa e incompreensível aos mais cultos. Na escola, o jovem cristão já sofria bullying: chegou até nós o grafitti de um asno crucificado com a inscrição: “Alexâmenos adorando seu deus”. Logo abaixo, a resposta do jovem cristão: “Alexâmenos fiel!”

O seguidor de Jesus não ia ao teatro (onde o nu total era comum) nem às arenas (a violência chegava até a morte do vencido). Essa ausência era notada e dava origem a boatos. Circulavam mexericos a respeito do culto eucarístico dos cristãos, acusados de canibalismo por imolar crianças vivas e beber seu sangue. O celibato voluntário e a virgindade valorizada eram motivo de zombaria.

Estranheza, distância, desprezo, calúnias, perseguições: eis o preço de seguir Jesus. Não admira que poucos sejam fiéis. Ainda hoje…

Orai sem cessar: “Meus inimigos são muitos; com ódio implacável me perseguem…” (Sl 25,19)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.