DIA 10 DE FEVEREIRO – TERÇA-FEIRA

SANTA ESCOLÁSTICA – VIRGEM E FUNDADORA

Evangelho (Marcos 7,1-13)

7 1 Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham se reunido em torno dele.
2 E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar.
3 (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;
4 e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.)
5 Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: “Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras?”
6 Jesus disse-lhes: “Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: ‘Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
7 Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos’.
8 Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens”.
9 E Jesus acrescentou: “Na realidade, invalidais o mandamento de Deus para estabelecer a vossa tradição.
10 Pois Moisés disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’; e: ‘Todo aquele que amaldiçoar pai ou mãe seja morto’.
11 Vós, porém, dizeis: ‘Se alguém disser ao pai ou à mãe: Qualquer coisa que de minha parte te pudesse ser útil é corban, isto é, oferta’,
12 e já não lhe deixais fazer coisa alguma a favor de seu pai ou de sua mãe,
13 anulando a palavra de Deus por vossa tradição que vós vos transmitistes. E fazeis ainda muitas coisas semelhantes”.

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

À nossa imagem… (Gn 1,20-2,4a)

De todos os seres chamados à existência pelo Criador, apenas o ser humano teve como “modelo” a imagem e a semelhança do próprio Deus. Uma imagem absolutamente “exclusiva”. É daí que brota a insuperável dignidade da pessoa humana, profundamente ferida quando homens e mulheres são tratados como cobaias, simples animais, massa de mão-de-obra, objetos de uso e descarte.

Esta exclusiva imagem divina se manifesta no homem e na mulher através de vários atributos: a inteligência, a vontade livre, a imaginação, a capacidade criativa, entre outros dons magníficos. Mas as marcas do molde inicial transparecem acima de tudo em nossa capacidade de amar.

Na Exortação apostólica “Familiaris Consortio” (1981), sobre a função da família no mundo de hoje, ao refletir sobre o desígnio de Deus sobre o matrimônio e sobre a família, o Papa João Paulo II escrevia:

“Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-o à sua imagem e semelhança e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano.” (FC,11.)

Um teólogo de nosso tempo, o esloveno Marko Ivan Rupnik, comenta que, tendo sido criado à imagem de Deus, o homem enquanto ser está orientado para o seu Protótipo. Assim como uma criança depende da imagem paterna para crescer, “a criatura humana tem uma constante necessidade de manter diante de si o seu eu Original”. Sem esta referência, acabamos des-umanizados…
Quando a Bíblia chama a Jesus Cristo de “novo Adão”, deixa ainda mais claro que nosso modelo a ser imitado é o próprio Senhor. Em outros termos, nossa humanização só atingirá seu clímax na medida em que nos voltarmos para Deus, nossa fonte e nosso porto de chegada.

Qualquer outro modelo ou ídolo apenas nos impedirá de ser aquilo a que somos chamados.

Assim, a verdadeira religião não consiste no cumprimento de certo número de ritos e celebrações, mas em uma volta à nossa Fonte. Um progressivo processo de construção da imagem divina em nós.

Orai sem cessar: “Ó Deus, tu nos criaste para ti, e em vão procura  o nosso coração, até que repouse em ti.” (S. Agostinho)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.