Saindo às pressas… (Mt 28,8-15)

Tão logo ouviram do anjo que Jesus havia ressuscitado e esperava pelos discípulos na Galileia, Madalena e a outra Maria abandonaram prontamente o sepulcro vazio e correram a dar a notícia ao grupo dos seguidores. É verdade que alimentavam sentimentos contraditórios, divididas entre a alegria e o temor. Mas obedeceram.

Hébert Roux comente que a fé que se agarra à promessa vai manifestar-se sempre por uma obediência imediata. Não por acaso, o apóstolo Paulo gosta de usar a expressão “obediência da fé”. Continua Roux: “Assim, é como uma resposta à sua fé que Jesus aparece às mulheres. A saudação com que ele as acolhe significa textualmente: ‘Alegrai-vos!’, pois a Boa Nova da Ressurreição, tal como a da encarnação, está destinada a ser o motivo de grande alegria (cf. Lc 1,28). Aquele que se apresenta diante delas não é um ‘espírito’ ou um fantasma, mas realmente o próprio Senhor: ‘elas abraçaram seus pés e o adoraram’. Então, Jesus pronuncia de novo a palavra confortadora que somente Deus pode pronunciar quando ele manifesta seu poder ao intervir na vida humana: ‘Não tenham medo!’”

Aqui e ali, em nosso tempo, é exatamente esta fé obediente que parece rarear, em especial quando as estruturas sociais mostram-se abaladas e a vida eclesial parece ameaçada. Curiosamente, o medo e a desobediência caminham de mãos dadas. No fundo, o desobediente é um medroso que se sente ameaçado diante dos riscos embutidos no ato de obedecer. O santo, ao contrário, crê de maneira prática e, sem medo das adversidades, obedece sem hesitação às ordens recebidas.

Igualmente curiosa é a diferença de reação diante da Boa Nova da ressurreição: enquanto as mulheres a recebem com um ato de fé, os homens do Templo retrucam com incredulidade, e seu coração petrificado precisa apelar para a fraude e a propina, a fim de que os guardas espalhem o falso boato do roubo do cadáver de Jesus.

Hoje como antes, a ressurreição de Jesus Cristo nos interpela e nos põe diante de uma decisão inevitável: crer ou não crer. Aquele que crê, aposta sua vida em Jesus e ultrapassa um limiar que o projeta em uma vida luminosa. Aquele que recusa o ato de fé, ao contrário, rejeita a salvação atualizada por Jesus Cristo e, envolvido pela treva da descrença, acaba por transformar-se em opositor dos desígnios de Deus.

Eis o drama do Evangelho: os cegos veem, os surdos ouvem, os paralíticos andam… enquanto os sacerdotes do Templo e os doutores da Lei repelem o Messias que o Pai lhes enviou…

Orai sem cessar: “Serviremos ao Senhor e obedeceremos à sua voz!” (Js 24,24)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança