Mais uma vez ocupo este espaço para chegar até você com a nossa reflexão do mês. Gostaria de partilhar uma visita missionária, realizada ao norte do país, em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas.  A Congregação, através da Província de São Paulo, atua naquela região desde 1998. Em 2018, na Solenidade do Sagrado Coração, celebraremos os vinte anos de presença MSC junto a essas comunidades indígenas. A Diocese de São Gabriel possui uma imensa extensão geográfica e, atualmente, o número de sacerdotes é bem reduzido.  A Igreja local é formada por comunidades indígenas, em sua maioria, ribeirinhas. Para quem não sabe, são grupos localizados às margens do Rio Negro.

Esta conjuntura de missão exige dos padres um espírito de total desapego e adaptação a esta realidade. Neste sentido, é admirável o comprometimento dos nossos confrades que atuam nesta frente missionária. As comunidades “ribeirinhas” me parecem o grande desafio neste contexto de missão. Para o atendimento a estes grupos, realizam-se as “itinerâncias”, visitas pastorais ao longo do ano.  Nestas ocasiões, procura-se atender  a todas as necessidades pastorais. Num passado mais remoto, chamávamos a  isto de “desobriga”.

Os missionários chegam a permanecer no seio destas pequenas “aldeias” por um período de até dez dias. As condições não são fáceis para a realização deste trabalho de animação missionária. Além do clima da região, que muda constantemente, alternando-se, entre chuva e sol, há  sempre um calor muito úmido; além disso, os padres usam  um meio de transporte bastante precário na  travessia do Rio Negro.

Durante a permanência na comunidade, os nossos missionários experimentam, em todos os sentidos, o dia a dia destes povos, ou seja, um verdadeiro exercício de conversão. Note-se ainda que, nessa região, é comum a doença da malária, e alguns de nossos confrades já foram  vítimas dese mal. Assim, o trabalho naquela Diocese, além do espirito evangélico, exige boa saúde e disposição física.

Sou testemunha de que os confrades que ali estão,  têm enfrentado com dedicação todos esses desafios. Dom Edson, bispo local, relatou inúmeras dificuldades para conduzir e animar esta parcela do povo de Deus. Ao se referir aos missionários, expressou sua gratidão pelos serviços prestados. Pediu encarecidamente que a Província continue exercendo este serviço de animação missionária em sua Diocese, pois eles prestam uma grande ajuda. Levando-se  em conta a importância desta missão para nossa Província, as necessidades da Igreja de São Gabriel e o clamor do bispo, resolvemos renovar, por mais cinco anos,  nosso compromisso com esta missão.

Neste sentido, quero pedir sua oração para que nunca nos falte este espírito missionário. Enfim,  roguemos ao Senhor para que nos envie sempre bons operários, “porque a messe é grande e os trabalhadores são poucos”.

Pe. Edvaldo Rosa de Mendonça, MSC.