Quem se exaltar será humilhado… (Mt 23,1-12)

Aqui e ali, Jesus acena para o caminho da humildade. Ele mesmo, o humilde exemplar, sendo Filho de Deus, vive por 30 anos uma vida banal, conhecido de todos como “o filho do carpinteiro”. Na Última Ceia, de avental, lavou os pés dos apóstolos. Por tudo isso, por Jesus viver o que ensina, não podemos ignorar o seu ensinamento.

Os Padres da Igreja sempre insistiram na virtude da humildade como essencial para o itinerário cristão. É de um deles – São João Clímaco [Séc. VII] – o comentário que segue: “Todo amigo da ostentação é vaidoso. Presta atenção e tu verás que, até o túmulo, a vanglória se multiplica, seja nas vestes, nos aromas, no cortejo dos servidores ou em outras coisas.

A vanglória torna orgulhosos aqueles que são honrados, e faz rancorosos os que são deixados de lado. Um espírito elevado suporta a injúria com coragem e alegria. Mas é preciso ser um santo e um bem-aventurado para passar sem prejuízo através de louvores.

Com frequência, Deus esconde aos nossos olhos as virtudes que adquirimos. Mas aquele que nos elogia, ou até nos engana, abre nossos olhos para seus louvores e, quando nossos olhos se abrem, nosso tesouro se dissipa.

Não confies no tentador que te sugere fazer propaganda de tuas virtudes para a edificação do próximo. Nada edifica tanto os outros quanto as maneiras humildes e sinceras e as palavras verdadeiras, pois isto os ajuda a jamais se orgulharem.

Não é aquele que se deprecia o que dá provas de humildade, mas aquele que, ofendido por alguém, não permite que diminua seu amor por ele.

Quando nossos aduladores, ou antes, nossos sedutores começam a nos louvar, devemos trazer à memória a multidão de nossos pecados, e iremos reconhecer-nos indignos daquilo que se diz ou se faz em nossa honra.

O jejum do vaidoso fica sem recompensa, e sua oração, sem proveito, porque ele realiza as duas coisas para ser elogiado pelos homens. O sol brilha para todos igualmente, e a vanglória acha um meio de aparecer em todas as nossas atividades.

O vaidoso é um crente idólatra: parece que ele honra a Deus, mas ele busca agradar aos homens, e não a Deus. É certo que, às vezes, os vaidosos dirigem a Deus orações que merecem ser atendidas, mas o Senhor tem o hábito de ignorar suas preces e pedidos, temendo que, ao verem atendidas as suas orações, eles aumentem ainda mais o seu orgulho.

O Senhor muitas vezes liberta os vaidosos da vanglória por meio de alguma humilhação que acontece com eles.”

Em tempo: “humilde” vem de “húmus”, aquela argila na qual fomos amassados…

Orai sem cessar: “O Senhor ampara os humildes.” (Sl 147,6)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.