27/05/2015

Quem quiser ser o primeiro… (Mc 10,32-45)

Às vezes, envelhecemos e permanecemos infantis. É natural que as crianças contem vantagens e pretendam impor-se aos companheiros nos jogos e competições. Mas os adultos?!

Pois lá estão os discípulos de Jesus com as mesmas criancices! Tiago e João vão até Jesus para solicitar um “tratamento especial”: quando o Mestre estivesse estabelecido em seu Reino glorioso (saberiam eles, de fato, o que estavam pedindo?), fosse dado aos dois ocupar os lugares mais próximos (e mais honrosos!) do Rei, “um à direita e outro à esquerda”.

Nos banquetes daquele tempo, com as mesas do convívio em formato de “U”, o anfitrião sentava-se à cabeceira, na curva do “U”, e os convidados de honra ficavam ao seu lado. Por ali (entrando pelo espaço interior dos divãs que serviam de mesa) os garçons começavam a servir. Nas extremidades, ficavam os convidados menos importantes, que seriam os últimos a serem servidos.

Glórias deste mundo! Honrarias que passam com o tempo e com as reviravoltas da sorte! E Jesus cuida de corrigi-los: desvia sua atenção do trono para o cálice… A glória, que eles vislumbram antecipadamente para o Senhor, não virá antes do sofrimento, da cruz, isto é, do “cálice”.

Boa ocasião para um exame de consciência. Que estamos esperando de Jesus Cristo? Com que intenção nós nos aproximamos dele? Para pegar uns respingos de sua glória? Para ter paz interior? Para resolver nossos problemas existenciais? Ou para ser um Cireneu e, nestes nossos tempos difíceis, ajudá-lo a carregar essa cruz que atravessa os séculos?

Notaram a reação dos outros Dez apóstolos? Ficaram indignados com o pedido dos Dois! O ciúme tomou conta deles… E foi preciso que o Senhor reunisse todos eles para dar a lição definitiva: “Não seja assim entre vós! Não façam como os grandes deste mundo! Quem quiser ser grande, faça o papel de servidor!”

E nós, que pensávamos crescer espiritualmente! Queríamos aprofundar-nos nos mistérios de Deus! Galgar as alturas da santidade! Aí, vem Jesus e diz como a Zaqueu: “Desce depressa!” Deus está lá embaixo. Desceu. Fez-se pequeno. Homem. Servo. Escravo. Crucificado…

Estou disposto a descer para me encontrar com o Cristo que desceu?

Orai sem cessar: “Meu Deus, quero fazer o que te agrada!” (Sl 40, 9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.