Foto ChevalierPadre Júlio Chevalier nasceu no ano de 1824 em Turene (França), no pequeno povoado de Richelieu, a oeste de Issoudun. De família pobre, simples e marcada por uma grande piedade. Júlio Chevalier aprendeu muito com seus pais. Sua mãe era muito religiosa e o educou com valores humanos e cristãos, aprendeu dela o bom humor; já do pai herdou o gênio explosivo e impetuoso. Logo cedo começou a trabalhar como aprendiz de sapateiro, mas seu maior interesse era juntar dinheiro para seus estudos.

Ainda menino, mas com a responsabilidade de um homem, enfrentou a dupla tarefa de aprender um ofício e de se preparar para o sacerdócio. Era aproximadamente 7 quilômetros que Júlio Chevalier tinha que andar para poder frequentar as aulas. Aos 17 anos, um pouco tarde para a época, entra para o seminário e vai conviver com rapazes quatro ou cinco anos mais novos. Em seu tempo de seminário Júlio Chevalier foi considerado um seminarista “virtuoso, sincero, trabalhador e piedoso”. A caridade expressada pela amabilidade foi a característica de toda a vida de Chevalier, “tinha todo tempo disponível para quem dele se aproximava”, seu inefável sorriso iluminava todo seu semblante, cativava pelo encanto de sua pessoa e pela convicção de suas palavras, pois tinha a alma de um apóstolo. Um homem místico, com uma espiritualidade simples, atraído pelo amor do Coração de Cristo, envolto de ternura, compreendia muito bem a prática da caridade, e lucrava muito mais quando vinha temperada com uma dose de humor.

Foi um homem agradecido, não cessando nunca de dar graças à Divina Providência, sem ela ele não teria entrado no seminário e seu sonho em fundar os Missionários do Sagrado Coração não teria se concretizado. Sentia-se constrangido quando alguém o elogiava, preocupava-se muito pouco com a aparência exterior, mesmo depois de um de seus paroquianos ter deixado um pente e graxa de sapatos à porta de seu confessionário (fato que ele relatava com muito humor). Em grandes solenidades misturava-se com visitantes ilustres, tendo o barrete sobre a orelha e vestido como simples pároco rural.

Totalmente entregue à sua missão por Cristo e pelos outros, era um homem determinado, forte e de uma extraordinária fortaleza que, baseado na confiança em Deus, pode enfrentar dificuldades aparentemente insuperáveis, era muito mais que um simples homem de ação.
Padre Júlio Chevalier era um homem místico, depois que ele ultrapassou a etapa de evidente esforço ascético, sua vida teve uma notável transformação quando descobriu o mistério de Cristo vivo nele e que amava e atuava através dele. Tinha profundamente presente o Cristo ante seus olhos durante sua meditação, Cristo em seu coração, em sua oração e na prática da caridade, estava consciente da presença de Cristo em toda a sua atividade. Por isso, escrevia nas Regras: “Os Missionários do Sagrado Coração terão uma terna devoção ao Coração Adorável de Jesus; não esquecerão de que ele é a fonte de todas as graças, uma fornalha de luz e de amor, um abismo de misericórdia; recorrerão a ele com frequência em suas provações, em suas tentações, desgostos, e dificuldades”.

Chevalier estava convicto de que fora chamado a compartilhar esta missão de fazer com que o mundo conhecesse o amor de Deus. Três congregações religiosas devem sua origem ou sua inspiração ao Pe. Chevalier: os MSC (Missionários do Sagrado Coração), as FDNSC (Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração), e as Irs. MSC (Irmãs Missionárias do Sagrado Coração). Há nestas congregações as mesmas linhas convergentes, ainda que a importância dada a certos aspectos possa variar, encontramos três constantes: – o amor pela humanidade; – a confiança na soberana bondade de Deus revelada no Cristo; – o apoio a tornar conhecido este amor e esta bondade em nossas obras.

Os primeiros documentos da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, refletem a preocupação que sentia Chevalier pelos “males de nossa época”, (correntes que atingiam as pessoas, oferecendo falsos valores). Chevalier viu na devoção ao Sagrado Coração “um remédio para os males de nosso tempo”, propondo combater o egoísmo e a indiferença em relação a Deus e aos direitos humanos.

Foi ele próprio que escolheu o termo dos “Missionários do Sagrado Coração”, num sentido muito mais amplo do que missão junto aos que desconhecem o Evangelho ou junto às Igrejas estrangeiras, tudo isso também, mas ia muito além: no sentido de serem enviados aos mais necessitados, para levar-lhes “os tesouros do amor e da misericórdia do Coração de Jesus”.

Padre Chevalier dizia: “somos missionários, não somos contemplativos”, para ele a profissão religiosa é “uma consagração para a missão”. Ele queria companheiros que fossem mais que homens de ação, queria homens que se deixassem atrair pelo Cristo, para partilhar de seu amor pelos homens.

No dia 8 de dezembro de 1854, dia em que o Papa Pio IX declarava solenemente o Dogma da Imaculada Conceição, nascia a Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, que teria que levar aos mais sofridos, espiritual e materialmente, o amor revelado no Coração do Verbo de Deus, Jesus Cristo.

Pe. Júlio Chevalier faleceu no dia 21 de outubro de 1907, onde confortado com os últimos sacramentos da Igreja, com seus amigos e irmãos e uma multidão de paroquianos que choravam por ele, como se chora por um pai, e rogavam a ele como a um santo. No ano de 2011 foi aberto oficialmente “o reconhecimento pela Santa Sé de que não há impedimento na Causa de beatificação e canonização do Servo de Deus Padre Júlio Chevalier”.

Hoje, os Missionários do Sagrado Coração trabalham nos cinco continentes, em diversos países e nas mais diferentes frentes de ação missionária: colégios, santuários, paróquias, meios de comunicação, rádio, TV, obras sociais… sempre fazendo valer o seu lema:
“Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus”.