25/04/2015

Quem crer será salvo! (Mc 16,15-20)

Em 11 de outubro de 2011, o Papa Bento XVI publicava a Carta apostólica Porta Fidei [Porta da fé], e com ela proclamou um “ano da fé”, para o período de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei.

Como alvo central desse Ano, o Papa apontava para a redescoberta do caminho da fé e o encontro pessoal com Cristo. E não escondeu um alerta geral: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária”. (Porta Fidei, 2.)

Ora, a salvação da humanidade não deriva de nosso compromisso social, de nossa ação cultural, de nossa atuação política nem das catedrais que edificamos: é a fé que nos salva. A fé no Salvador, o Cristo Senhor. Sem a fé, nenhum fruto de eternidade brotará desse esforço e dessa transpiração.

Nas palavras de Jesus, gravadas no Evangelho de hoje, a fé que nasce do encontro com Jesus e sua Palavra orienta o crente para o Batismo, um mergulho na fonte da vida que jorra para a eternidade. Bento XVI lembrava a todos nós que a Fé conduz simultaneamente à comunhão com Deus e à entrada na Igreja, onde faremos contato com a Palavra anunciada e com a Graça que plasma o coração do homem.

É a fé que nos leva aos primeiros passos no caminho da conversão, “autêntica e renovada”, o Papa. Fé que significa uma aposta total da vida em Jesus Cristo. “Só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.” (PF, 7.)

Chegamos, infelizmente, a um estado de obscuridade mental em que uma espécie de névoa envolve os conteúdos de nossa fé, embaralhando conceitos e práticas cada vez mais nebulosos. É assim que pessoas que se declaram cristãs fazem um mix de ressurreição e reencarnação, transformam promessas em negociatas com Deus, veem as esmolas como prestações do céu.

Por isso mesmo, o Papa recordava que “o conhecimento dos conteúdos da fé é essencial para se dar o próprio assentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja”. (PF, 10.)

Na festa de São Marcos, o evangelista que nos transmitiu o ensinamento de Pedro, o primeiro Papa, peçamos a graça de voltar às legítimas fontes da doutrina, com realce para a Bíblia, os Padres da Igreja e o magistério eclesial.

Orai sem cessar: “O justo viverá pela sua fé.” (Hab 2,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança