DIA 18 DE FEVEREIRO – QUARTA-FEIRA

QUARTA-FEIRA DE CINZAS – JEJUM E ABSTINÊNCIA

Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18) 

Naquele tempo, 6 1 Disse Jesus: “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.
2 Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
3 Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
4 Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.
5 Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
6 Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
16 Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
17 Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto.
18 Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á”.

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

Entra no teu quarto… (Mt 6,1-6.16-18)

Em termos de vida de oração, nós somos eternos aprendizes. Dificilmente iremos encontrar alguém que se declare satisfeito com a oração que faz, pois são muitas as barreiras que dificultam nossa relação com Deus.

Hoje, vamos aprender com o monge beneditino François Trévedy, que reflete conosco sobre este Evangelho:

“‘Quando tu rezares, entra…’ Entra. Eis a primeira palavra de Jesus sobre a oração, a primeira etapa do método que ele nos ensina. Entra. Desde já, a direção nos é indicada: é preciso ir no sentido do interior.

Entra. Vale dizer que nós estamos sempre do lado de fora; vale dizer que permanecemos fora por tanto tempo, que não rezamos; fora de nós mesmos, fora da Igreja, fora do mundo, fora de Deus. A oração nos leva a re-integrar nosso Domicílio e nosso Lugar; ela é a Páscoa de fora para dentro. Quando Judas foi para fora, ‘era noite’ (Jo 13,30). Tu também, por mais tempo que fiques de fora, se não te esforças por vir a ser um homem de oração, tu permaneces exilado nas ‘trevas exteriores’ (cf. Mt 25,30). Tão logo rezas, tu entras na luz, pois a luz está dentro.

Durante todo o tempo que ficas de fora, tu experimentas a tristeza. Entras? Eis a alegria! ‘Entra na alegria de teu Senhor’ (Mt 25,21). O irmão mais velho do pródigo, ‘próximo da casa, ouviu música e danças’, mas ele foi tomado de cólera e recusou entrar’ (Lc 15,25.28).

Do lado de fora, só existe agitação: ‘Esforcemo-nos, pois, por entrar no repouso’ do Senhor (Hb 4,11), no grande sábado da oração contemplativa. E seria tão simples entrar! No entanto, isto nos custa; preferimos a exterioridade. Entrar exige esforço. ‘Esforçai-vos por entrar’, diz Jesus (Lc 13,24). E é muito forte o verbo que Lucas emprega aqui: Agônizesthe eiselthein. ‘Lutai para entrar; agonizai para entrar’; a Páscoa pessoal de cada homem para sua interioridade supõe nada menos que uma agonia; um batismo, também, e uma renovação total, pois, ‘a menos que nasça da água e do Espírito, ninguém pode entrar’ (Jo 3,5).

Nós somos para nós mesmos a Terra Prometida, e a entrada tão laboriosa nesta Terra de interioridade constitui todo o drama de nossa história sagrada.

‘E eis que Tu estavas dentro de mim e eu estava fora de mim, e eu te procurava lá fora…’ (Santo Agostinho, Confissões.)

Para que, enfim, nós consintamos em entrar, é preciso que se exerça sobre nós a persuasão – até mesmo a violência – da Palavra do Servo que o Pai enviou com este mandato: ‘Obriga-os a entrar!’ (Lc 14,23).”

[Do livro “Orar em Segredo”, Ed. O Lutador, BH, 2009, trad. de A.C.Santini.]

Orai sem cessar: “Entrai exultantes em sua presença!” (Sl 100,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.