Este tempo litúrgico é proposto pela igreja para que nos preparemos de forma intensa para vivermos os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus, que são, por sua vez, o cerne de nossa vida cristã. O tempo da quaresma nos traz três características fundamentais para toda a caminhada espiritual, mas que se ressalta sobremaneira neste período: A Oração, o Jejum e a Caridade. Quando vamos aos textos dos padres da Igreja sobre o período quaresmal, encontramos um tema que, a mim, é muito particular e completo sobre estas três ações, que diz assim: “O que a oração pede, o jejum o alcança e a misericórdia o recebe”.

De fato, a oração é um convite à intimidade. Nela, de uma maneira muito peculiar e com uma reta intenção, chegamos a uma conclusão: Só Deus nos basta, tudo que nos vier d’Ele será ganho. Claro que não deixamos de levar nossas histórias, como nossos sofrimentos e lutas, conquistas e anseios. A oração não se distancia da realidade. Oração simples e sincera é sinal verdadeiro de conversão.

Assim, o Jejum ganha sentido, pois deve estar movido pela compaixão por muitos dos nossos irmãos que não tem o que comer. Como nos alude São Tertuliano: “Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si”. O jejum é sinal profundo de conversão, o Cristo nos ensina que devemos viver este momento com convicção e alegria.

Do tal modo se mostra a caridade, que nada mais é do que partilhar a graça da misericórdia de Deus em nossa vida.

Quando o filho pródigo retorna à casa do Pai, não há no pai sentimento de repressão pelos atos cometidos, há sim alegria pelo regresso do filho que estava perdido. Pois, na verdade, quem deleita-se desta graça é aquele que desfruta da misericórdia.

Busquemos viver este período quaresmal não pelo sentimento mesquinho, mas pela grandeza de podermos viver intensamente a misericórdia que nos traz a alegria da reconciliação com o Senhor e nos dá a certeza de que somos filhos muito amados de Deus. Reze, e, principalmente reze sua vida. Jejue aquilo que não lhe permita crescer ou que lhe afasta da graça de Deus e viva a Caridade com toda alegria de quem se sente amado verdadeiramente.

Frater José Eduardo, MSC