Iniciamos no último dia 14 de fevereiro de 2018, com a celebração da quarta-feira de cinzas, o tempo da quaresma e a abertura da Campanha da Fraternidade de 2018. A palavra quaresma vem do latim “quadragésima” e indica um período de quarenta dias de intenso compromisso espiritual, tendo em vista a festa da Páscoa. É um tempo de “voltar para Deus” como afirma o profeta Joel na liturgia da quarta-feira de cinzas (Jl 2,13). Durante o período da quaresma, a Igreja propõe aos fiéis um esforço pessoal e comunitário de conversão. A finalidade deste gesto é levá-los a dar passos concretos no sentido de um verdadeiro encontro com Jesus Cristo. A proposta é de superação dos pecados e de um retorno à vivência sacramental. Creio que aqui esteja o objetivo geral da quaresma. Este tempo de preparação para a Páscoa é acompanhado pela realização da campanha da fraternidade, que tem como tema, “Fraternidade e superação da violência”, tendo como lema: “em Cristo somos todos irmãos”, Mt, 23,8.

O objetivo da Campanha é construir a fraternidade promovendo “a cultura da paz”. Recorda a vocação e missão das comunidades cristãs e de todas as pessoas de boa vontade no combate à violência. A Campanha da Fraternidade chama a atenção, sobretudo, para o dialogo entre Igreja e sociedade proposto pelo Concilio Vaticano II. Em síntese pode se dizer que o objetivo da campanha da fraternidade é educar os cristãos para uma sociedade mais humana e solidária.

A realização destes objetivos depende muito do esforço de cada pessoa. A exortação do profeta Joel pode nos iluminar neste exercício de conversão: “Voltai para mim de todo coração”. Voltar para Deus significa repensar o modo de viver, abandonar o caminho do erro, deixar de lado as falsas seguranças. Retornar para Deus, deve ser uma atitude de confiança, de todo “coração” nos lembra o profeta. O apóstolo Paulo nos recorda que uma verdadeira conversão começa com a reconciliação com o Senhor: “deixai-vos reconciliar com Deus” (2cor. 5,20.). O pecado é um estado de desacordo entre Deus e o homem, portanto se faz necessário restabelecer a harmonia, recriar o vínculo com o Criador.

A Igreja apresenta o tempo quaresmal como uma oportunidade ímpar para esta reconciliação. No evangelho de Mateus, Jesus apresenta sob uma nova luz três práticas de piedade como caminho de reconciliação. A ESMOLA, que não deve ser apenas uma forma de se exibir, mas um indicativo de que vivemos num mundo injusto e, por isso, muitos irmãos vivem na dependência da boa vontade e caridade alheia. Neste caso a esmola não é uma atitude isolada, mas sim um compromisso com a justiça. A ORAÇÃO, que nos coloca frequentemente em contato com o Criador e o seu plano de amor. Nesta intimidade com Deus descobrimos que somos seus colaboradores na construção da justiça. O JEJUM que nos permite descobrir horizontes novos como o sofrimento de muitos irmãos, que têm seus direitos negados. O jejum quando inserido nesta dimensão evangélica nos ajuda na descoberta daquilo que é essencial para nossa vida e nos estimula na partilha dos nossos bens.

Que estes exercícios quaresmais e a Campanha da Fraternidade, não se tornem fins em si mesmos, mas meios para nossa verdadeira conversão. Que a nossa vida esteja em sintonia com a proposta da Igreja, buscando sempre o verdadeiro encontro com a pessoa de Jesus e promovendo a justiça e a paz.

Pe. Edvaldo Rosa de Mendonça, MSC
26/02/18