Quanto mais o Pai do céu! (Lc 11,5-13)

Os pais cuidam bem de seus filhos. Toda exceção é monstruosa. Para manter os filhos, os pais enfrentam duros trabalhos e situações penosas. Alguns até migram para buscar o emprego que não encontram em sua terra. Sacrifícios semelhantes são feitos para custear a educação da prole, para vestir os seus pequenos.

Quando fui para um colégio interno, aos dez e meio de idade, vi-me obrigado, pela primeira vez, a trocar o lápis por uma caneta. Eram “canetas-de-pau”, com pena metálica. Em um furo da carteira, o tinteiro de louça com a tinta preparada no próprio colégio. Devido à falta de hábito, minha primeira redação saiu toda borrada e rasurada, pois o excesso de pressão fazia a pena se abrir e manchar o papel.

Recebi de volta a primeira redação com uma observação mais ou menos assim: “Boas ideias. Podia ser melhor na apresentação.” E a nota: sete! Ora, sete, para mim, era uma nota vergonhosa. Furioso, escrevi para casa: “De que adianta ser filho do Carlos Santini, que nunca deveu nada a ninguém – frase típica de meu pai – se não tenho uma caneta decente para escrever?”

Um mês depois, recebo inesperada visita de meu pai. Tirou do bolso um pequeno embrulho e mo entregou. Abro o pacote e vejo uma caneta preta, importada, marca Esterbrook, daquelas que tinham uma bomba para retirar a tinta do vidro. E meu nome estava gravado na caneta.

Na hora, não pensei nas privações que meus pais teriam assumido para me dar o presente. Mas hoje, quando vejo a caneta que ainda mostro em minhas palestras sobre o amor de Deus, percebo que minha confiança no Pai celeste tem suas raízes na figura providente de meu pai da terra.

Refletindo sobre a casa de Nazaré, percebi também quanto o jovem Jesus ficou devendo a José, como modelo de homem, como presença providente, como referência educativa. Foi falando a José que Jesus aprendeu o nome do Pai do céu: Abbá, paizinho. Com esse nome, Jesus iniciaria cada uma de suas preces…

Agora, sim, podemos voltar ao Evangelho de hoje e entender sua mensagem. Se nós, humanos, nada bons, somos assim, quanto mais o nosso Pai do céu!…

Orai sem cessar: “Basta abrires a boca e te satisfarei!” (Sl 81,11)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.