Província

Alguns fatos da criação da Província de São Paulo

No ano de 2006, completamos sessenta anos de história como província. A princípio como província brasileira, depois, com a nova reestruturação dos MSC no Brasil, passamos a ser denominados de Província de São Paulo. Como surgiu a Província, pergunta muitos de nós, mais jovens? Fazer memória é tornar-se cúmplice da história e se comprometer com ela. Fazendo memória, também, percebemos que temos raízes, que não somos os primeiros e únicos, mas continuadores dessa bonita missão que o Senhor nos reservou. Missão que conheceu seus percalços e também sua beleza e triunfos.

Nossa intenção, aqui, não é descrever toda a história da província, mas, apenas resgatar o que, ao nosso entender, foi a gênese daquilo que somos hoje como comunidade provincial. Escrito por muitas mãos eis o texto a seguir.

Resumo dos anos de 1911-1946

No mês de Maio de 1911 chegaram ao Brasil os padres Adriano van Iersel e Ludovico Kauling, os primeiros M.S.C. Foi em conseqüência de um convite do Bispo de Pouso Alegre, Minas Gerais, para assumir a direção do Colégio diocesano (também Seminário). Nas informações preparatórias, colhidas em 1910 e 1911, pelo P. Adriano van Iersel, na Bélgica, junto às Ordens e Congregações religiosas que tinham colégios no Brasil, há indícios que inicialmente se pensou, de modo especial, em trabalho em colégios e seminários, sem excluir trabalho paroquial. Dentro do propósito desta história não cabem amplos relatos e comentários sobre o trabalho deles e de seus colaboradores e sucessores, durante os anos de 1911 a 1946.

Logo, o trabalho pastoral nas paróquias, em grandes territórios ainda não desbravados, se tornou a obra principal. Realizou-se, nesses anos, um trabalho pioneiro. Mas não se esqueceu de pensar no futuro da Congregação. E começou-se a construção de casas de formação para futuros M.S.C. brasileiros. O esforço, nesse sentido, encontrou seu coroamento na construção da Escola Apostólica de Pirassununga (1931), da casa do Noviciado em Itapetininga (1937) e finalmente do Escolasticado em São Paulo (1940-1941). Passos decisivos para o futuro dos M.S.C. no Brasil. Eram promissores o crescimento e o progresso.

Convém anotar aqui que já por ocasião da visita do Provincial P. Verhoeven e seu companheiro P. H. van Mierlo em 1936, se previram as conseqüências do crescimento da obra brasileira para o governo provincial. Dentro de um certo prazo seria impossível ter uma visão exata e tomar decisões a partir de Tilburg. Por esse motivo, já em 1936, o P. Arnaldo Geerts fora nomeado Delegado Provincial com poderes especiais para o governo das obras no Brasil. Até então, existia apenas uma casa canônica, em Campinas (16/07/1919). No dia 01/09/1936, Pirassununga se tornou casa canônica; em 29/07/1937, Itapetininga. E no dia 31/10/1940, Bauru também.

Nos últimos anos antes da guerra, o Brasil recebeu grande número de novos confrades para poder consolidar suas obras. Durante a guerra havia algum contato, por correspondência, entre o Brasil e a Holanda, mas também era principalmente um intercâmbio de novidades pessoais e congregacionais.

Antes da visita canônica de 1946

Correspondência Tilburg-Brasil e vice-versa, 1945-1946.
A correspondência retoma seu ritmo normal em agosto de 1945. Nessa correspondência pede-se, com urgência, uma visita canônica e uma análise da possibilidade de criar uma Província Brasileira. O Administrador e seu Conselho pedem isso com muita insistência como provam as cartas de 22/08/1945 (Br 211, 219,221).O Provincial P. van de Pluym responde que de fato uma visita canônica poderá facilitar a discussão sobre a criação de uma Província Brasileira (Br 212). No dia 23/11/1945 comunica ao P. Arnaldo que o Conselho em Tilburg se declarara de acordo com a visita canônica. Será feito em Roma um pedido de indulto para fazer um tipo de Capítulo por ocasião da visita. Precisa-se do indulto uma vez que o Brasil ainda não é Província (Br 226).Entrementes, da parte do Brasil são feitas sugestões e propostas de como agir e do que fazer. P. van de Pluym lembra ao P. Arnaldo o seguinte: “Seria bom refletir junto com o seu Conselho sobre como evitar que sua Província continue dependendo de outra para seus recursos humanos. Tal situação traria grandes dificuldades e certamente não seria admitida pelo governo geral”.

Evidentemente escreve-se muito sobre os novos padres e irmãos que se preparam para as missões. O P. Arnaldo não perde tempo para pedir o maior número possível deles. E assim, entre dezembro de 1945 e setembro de 1946, dezessete novos padres partem para o Brasil: Frederico van Leeuwe, Adriano Temminck; Geraldo van Rooyen, Pedro Verdurmen, Carlos Seelen, Francisco Relou, Florêncio Bernaerts, Teodoro Kock, João Boing, Xavier Geurts, Walter Grol, João Smits, Carlos van den Bergen, João Batista van den Berg, João Polman, Estêvão Weyers e Humberto Rademakers. Em março de 1946, os dois visitadores partem de Portugal para o Brasil.

Sugestões do Padre Geral Janssen
O P.Geral Chr. Janssen manda uma longa carta ao P. van de Pluyn em resposta às cartas de 10 e 27 de dezembro de 1945.

O distrito Brasil se desenvolveu tão bem que está maduro para ser uma Província independente. Antes de dar esse passo, seria útil e até necessário, fazer uma visita para estudar e organizar tudo no próprio local.

A observação do P. van de Pluym de que a casa de formação, por enquanto, não fornecerá pessoal suficiente para manter e ampliar as obras, o P. Geral responde:… “mesmo mantendo apenas as obras já existentes, o distrito pode se tornar uma bela Província”. Se, por acaso, for necessário que a Província-Mãe mande pessoas, essas podem ser emprestadas ou passar para a nova Província. O mesmo vale para os que já trabalham aí. O Geral espera que eventuais problemas se resolvam com prudência e generosidade”.


A visita canônica de abril a julho de 1946

A visita canônica foi feita pelo P. van de Pluym e P. J. de Lepper. Administrador era, no Brasil, o P. ARNALDO Geerts. Seus conselheiros: PP. Leonardo Hendriks, Jerônimo Vermin e Abraão Wijnands.

Havia quatro casas canônicas: Campinas (16/07/1919), Pirassununga (01/09/1936), Itapetininga ( 29/07/1937), Bauru (31/10/1940).

N.B. Por ocasião da visita foram erigidas mais três casas: São Paulo-Escolasticado (06/07/1946), São Paulo-Ponte Pequena e Vila Formosa (11/09/1946), e Itajubá(06/07/1946).

O número dos membros era o seguinte: 53 Padres; 24 Irmãos; 18 Estudantes Professos. Total: 95, mais 6 Noviços e 90 Seminaristas.

No dia 1 de Abril, os visitadores chegam no Rio, dia 4 em São Paulo, dia 8 em Campinas, onde, nos dias 9,10 e 11 de abril têm um primeiro encontro com o administrador e seu conselho. Uma segunda reunião acontece com as mesmas pessoas nos dias 24, 25 e 26 de maio.

Uma terceira reunião tem lugar Pirassununga, nos dias 29 e 30 de junho, ainda com as mesmas pessoas. Nessa reunião tratou-se do projeto dos Estatutos e se fizeram algumas nomeações, e outras seriam propostas ao governo geral.

Conversações sobre a criação da Província Brasileira

Na primeira reunião de 8, 9 e 10 de abril o assunto principal foi o relato do P. Provincial sobre uma possível criação da Província Brasileira. Tanto o Conselho Provincial na Holanda como o Governo Geral em Roma são, em princípio, a favor, uma vez que há razões suficientes para a criação. Há bastante casas canônicas, um número suficiente de membros, casas de formação e meios de sustento. A visita tem por finalidade examinar a maturidade para se tornar Província.

Ata do Encontro de Pirassununga
Nos dias 2, 3, e 4 de Julho de 1946, sob a presidência do Rvmo. P. Provincial, P. van de Pluym, na qualidade de Visitador da Obra Brasileira, com assistência do Rvmo. P. Jan de Lepper, seu acompanhante. A abertura da primeira reunião foi realizada pelo Rvmo. P. Provincial com a oração do Veni Creator. Na palavra inicial o presidente deu as boas vindas aos participantes: PP. Arnaldo Geerts, administrador provincial do Brasil; Leonardo Hendriks, Superior de Campinas e Conselheiro; Jerônimo Vermin, Conselheiro; Antonio Van Es, Superior de Pirassununga; Graciano Van Westeinde, Superior de Bauru; e oito delegados nesta seqüência, de acordo com o número de votos na eleição: PP. Leopoldo van Liempt, João Schuur, Cornélio van de Made, Pedro Dingenouts, Adriano van Iersel, Geraldo Pelzers, Cornélio van Amerongen e Francisco Janssen. Por aclamação, foram eleitos primeiro e segundo secretários: PP. Jerônimo Vermin e Francisco Janssen.

Como primeiro assunto das discussões apresentou-se um ante-projeto de Estatutos dos M.S.C. no Brasil, a ser levado mais tarde ao Capítulo Provincial e ao Conselho Geral.

Apresentada e aprovada a ata da reunião anterior passou-se ao ítem VI da agenda: Fundação da Província Brasileira.

O presidente faz uma breve exposição da situação atual. Estamos num momento crucial na Região. A visita canônica tem também por finalidade uma sondagem sobre a maturidade para uma província própria. Há agora 65 padres, daqui uns meses mais de 70, 23 irmãos, casas de formação próprias, 5 padres brasileiros e a expectativa de um crescimento anual pelo Escolasticado. Em 1931 inaugurou-se a Escola Apostólica e ela satisfez às expectativas. Há variedade de obras, principalmente paróquias, mas com outros projetos para o futuro. A região já tem seu próprio serviço de propaganda, tão forte que a construção material foi feita sem ajuda financeira de fora. Não há luxo nos estabelecimentos, nem falta. O trabalho deve continuar assim, com a confiança nos poderes sobrenaturais e no esforço humano. Já há quatro casas canônicas e o número aumentará. Seria impossível e imprudente governar esta obra de longe, aliás seria um governo fictício. Portanto, descentralizar e fundar uma província própria no Brasil. O ingresso de novos membros na região não pode ser avaliado em Tilburg, só aqui. A roupagem de região ficou apertada demais para o tamanho do corpo. Isso já fica evidente quando se pensa na participação constitucional do Capítulo Provincial, e as dificuldades que ela traz. Também não é um caso excepcional considerando a história da fundação de novas províncias na Congregação. Por exemplo, o Canadá e os EEUU não tinham o mesmo tamanho quando se tornaram províncias. O aspecto da nacionalidade tampouco é problema. Quando da fundação da Província dos EEUU, todos os padres eram alemães com exceção de apenas um. Os governos geral e provincial julgam o montante propício para fundar a província. Citou-se aqui uma carta do P. Geral sobre o assunto. A decisão depende do Conselho Geral e da Santa Sé.

“Palavra final: O presidente agradeceu de coração à administração passada por tudo que foi realizado. Superiores e súditos fizeram um bom trabalho. O fundador da Região, P. Adriano van Iersel, que foi enviado “como Pedro para Roma”, tem mais condições de avaliar o crescimento. Tudo indica que o crescimento há de perdurar. O administrador demissionário, P. Arnaldo Geerts, recebeu os agradecimentos por seu trabalho. Comunicou-se a nomeação do novo administrador: o P. João Schuur. Os conselheiros já nomeados: os PP. Leopoldo van Liempt, Jerônimo Vermin, Leonardo Hendriks. Aumentou-se o número de conselheiros para quatro, sendo nomeado P. Cornélio van de Made. Comunicou-se ainda que outras nomeações serão anunciadas após a chegada das decisões dos organismos superiores. Recomendou-se o uso do título de “Provincial”, para administrador, como aliás já é costume. Por fim, o presidente relembrou o clima fraternal do encontro, que teve o sentido de um melhor conhecimento mútuo, e reforçou os laços de caridade e união entre os membros do corpo, neste caso, da Região brasileira. Esperava, como frutos do encontro, maior compreensão, nova coragem, mais solidariedade, maior força de amor para cumprir a tarefa a nós confiada. O presidente dirigiu um agradecimento especial aos superiores e encerrou o encontro com oração.

A. U. T . C. J. S. Pirassununga, 4 de Julho de 1946 In festa Eucharistici Cordis Jesu.”

Podemos enumerar os prédios do Convento e da Igreja de São José em Campinas, uma modesta residência em Bauru, a Escola Apostólica de Pirassununga com sua casa de campo para as férias dos alunos, o Noviciado de Itapetininga, o Escolasticado em Vila Formosa(São Paulo), o Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração e respectivo Convento de Vila Formosa, a bela residência e o Santuário das Almas no bairro da Ponte Pequena , a Escola Apostólica de Ibicaré (Santa Catarina) e a de Itajubá (Minas Gerais).

Aos 13 de outubro de 1946 foi canonicamente ereta a Província Brasileira da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, 35 anos após a chegada dos primeiros missionários, tendo como primeiro Provincial o P. João Schuur. Esses pioneiros deixaram como legado um conjunto de possessões que garantiam suficientemente um desenvolvimento posterior feliz das obras.

A Província Brasileira abrangia a Região do Rio de Janeiro (Região Holandesa) e a Região de Curitiba (Região Belga). E a Secção Italiana (os Italianos). Faziam parte da Província Brasileira apenas juridicamente. Em 1995, a Região do Rio de Janeiro tornou-se Pró – Província, acontecendo o mesmo, logo depois, com a Região de Curitiba. Quem trazia o nome de Província Brasileira, passou a chamar-se: PROVÍNCIA DE SÃO PAULO.

As pessoas mais importantes nesta história foram:

No Brasil: Pes. Arnaldo Geerts, administrador ou delegado provincial desde 1936; Leonardo Hendriks, ecônomo e c onselheiro; Jerônimo Vermin, Abraão Wijnands, conselheiros.

Na Holanda: Pes. P. Van de Pluym, provincial de 1942 a 1948 e visitador em 1946; N. Verhoeven, provincial de 1935 a 1942, visitador em 1936, e procurador nos anos pós-guerra; J. de Lepper, companheiro do P. Van de Pluym, na visita de 1946.