Poder sobre os espíritos imundos… (Mc 6,7-13)

O caráter agônico da missão de Jesus transparece em seus combates contra a doença (lepra, paralisia), contra males congênitos (surdez, cegueira), contra a própria morte (ver a reanimação de Lázaro), mas acima de tudo se manifesta na libertação das pessoas que estavam sob a opressão do Maligno.

O próprio Jesus combateu diretamente os demônios que tentavam desviá-lo de sua missão, como na tentação no deserto e em sua agonia, no Getsêmani (cf. Lc 4,1-13; Mc 14,32-42). A esse respeito, a Bíblia de Navarra comenta: “A vitória sobre o espírito imundo, nome que se dava correntemente ao demônio, é um sinal claro de que chegou a salvação divina: Jesus, ao vencer o Maligno, revela-se como o Messias, o Salvador, com um poder superior ao dos demônios.”

Inimigo de Deus, o demônio tenta atingi-lo indiretamente, afastando de sua amizade as suas criaturas humanas. Ao lado da sociedade ímpia e da natureza humana decaída, a ação demoníaca constitui-se em obstáculo à nossa salvação. O dom do discernimento dos espíritos permite reconhecer as moções e iniciativas do Maligno contra nossa santificação.

A mentalidade racionalista pretende negar a existência do demônio, sob a alegação de superstição e empréstimo de antigas mitologias, ou reduz o Inimigo a uma simples “ausência do bem”, uma ineficiência. O magistério da Igreja, porém, com base na própria Escritura, reconhece sua existência. Paulo VI foi muito explícito neste ponto, falando do Maligno como uma “eficiência”, um “ser pessoal”.

Há dois erros graves neste particular. E ambos facilitam a ação destrutiva do Maligno: 1) negar sua existência; 2) ver sua presença em tudo, elevando-o à categoria de autêntico “deus do mal”, em clima de evidente maniqueísmo. Certos grupos de cristãos vivem em clima de demonismo, como se o poder de Deus não lhe fosse infinitamente superior.

No Evangelho de hoje, os Apóstolos são enviados em missão e dotados do mesmo poder que Jesus manifestava, sujeitando os espíritos imundos ao Nome de Jesus. Aprendemos, assim, que Deus é fiel e nunca nos confiará qualquer missão sem nos dar a assistência do Espírito Santo. E, sinergia com Ele, seremos vitoriosos contra o Mal.

Orai sem cessar: “Senhor, tu és o meu refúgio!” (Sl 91,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.