Pe. Júlio Chevalier – Os juízos temerários

pe. chevalier

Os juízos temerários

“Todo aquele que se zangar com o seu irmão, será castigado” (Mt 5,12)

1 – No juízo temerário do próximo, julga-se sem autoridade
Quem é você, diz o Apóstolo, para julgar o seu irmão? “Tu quis es qui judicas?” (Rm 14, 4) E por que o julga? “Tu autem quid judicas fratrem tuum?” (id) Qual a razão e quem lhe deu o direito? “Quis te constituit judicem?” (At 7, 35). Você está usando de uma atribuição que pertence somente a Deus, por que é somente ele “que perscruta os rins e os corações” (Sl 7) conhece os motivos que levam a agir. Já que ignoramos as intenções daqueles que criticamos, deixemos de julgá-los: “Nolite judicare” (Rm 10, 4). Não recebemos nenhum poder para isso. Sejamos mais críticos de nós mesmos, praticando a caridade aos outros. Esse é o espírito do Sagrado Coração.

2 – Julgando temerariamente o próximo, agimos sem conhecimento suficiente
Quando somos precipitados em nossas apreciações, ficamos nas aparências que, na maioria das vezes, são ambíguas e enganosas; e, então, formulamos juízos irrefletidos e até injustos. O Espírito Santo no-lo proíbe expressamente: “Nolite judicare secundum faciem, sed justum judicium judicate” (Jo 7). O que torna ainda errôneas e censuráveis as nossas apreciações, é que julgamos ordinariamente sem indagações, muitas vezes com informações incertas, que nem sempre procuramos controlar, ou com apenas simples suspeitas às quais consideramos como certas; e, então, depreciamos em nossa mente aqueles que são o objeto de nossa crítica. Peçamos ao Sagrado Coração de Jesus que nos faça mais sábios em nossos juízos!

3 – O juízo temerário é, muitas vezes, o efeito da paixão
Normalmente os juízos desfavoráveis que fazemos do próximo têm por princípio o orgulho que nos leva a crer que somos melhores do que os outros, ou então a inveja que nos leva a ter ciúme do seu sucesso e de sua prosperidade, ou ainda o interesse, porque os vemos ter mais êxito do que nós nos seus negócios. Deixa-se levar facilmente pelo que a paixão sugere. Os Fariseus diziam que Nosso Senhor era um pecador: “Nos scimus quia hic homo peccator est” (Jo 9, 24). Quem lhes disse isso? A paixão porque a paixão corrompe o juízo: “Species decepit et concupiscentia aubvertit cor” (Dn 13). Desconfiemos de nossos maus sentimentos e seremos capazes de julgar corretamente!

Fonte: Padre Chevalier, Meditações para todos os dias do ano segundo o Espírito do Sagrado Coração, II Tomo.

Padre Júlio Chevalier, fundador dos Missionários do Sagrado Coração.