Paróquia NSSC Aerolândia

Salmo do dia – 97/98

Publicado em 5 de setembro de 2013 / Evangelho do dia

DIA 5 DE SETEMBRO – QUINTA-FEIRA

O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações. Sl 97/98 

Salmo responsorial 97/98

O Senhor fez conhecer a salvação
e, às nações, sua justiça;
recordou o seu amor sempre fiel
pela casa de Israel.

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
alegrai-vos e exultai!

Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa
e da cítara suave!
Aclamai, com os clarins e as trombetas,
ao Senhor, o nosso rei!

Meditando a Palavra

Sua mão e seu santo braço… (Sl 98 [97])

Claro, na Primeira Aliança, antes da encarnação do Filho, Deus não tinha um corpo. Entretanto, são comuns na Bíblia as expressões de cunho antropomórfico relacionadas a Yahweh. Seus olhos tudo veem (Sl 139,16), seus pés se apoiam no Templo (Is 60,13), seu ouvido se inclina para o homem que reza (Sl 31,2), seu hálito afogou os egípcios no Mar Vermelho (Ex 15,10). O homem sente necessidade de um Deus com quem possa relacionar-se, por isso lhe empresta estes traços de humanidade.

Também nos ícones do Oriente cristão, é comum que o iconógrafo “escreva” a mão de Deus saindo da nuvem, em um cantinho da figura, para sugerir que Deus vai-se revelar, Deus vai “entrar em ação”. Se Deus encolhe o braço, se seu braço é curto demais, ele se mostraria impotente diante do mal.

Por isso mesmo, quando canta a poderosa intervenção de Yahweh para libertar seu povo da escravidão do Egito, ou a vitória de Israel sobre os povos vizinhos, a Escritura Sagrada fala do braço divino: “O poder do vosso braço os petrificou”. (Ex 15,16) Os braços de Moisés nada poderiam realizar se Deus encolhesse o próprio braço…

O homem dito moderno (sic!) prefere usar seus próprios braços, manifestando inexplicável autoconfiança. Os heróis que ele desenha aos olhos das crianças são donos de braços musculosos, como o Superman, Tarzan, He-Man e tantos outros. Os cartazes de propaganda do III Reich nazista são notáveis nessa figuração do super-homem. Com bíceps tão malhados nas academias, o homem não precisa dos braços de Deus, dispensa as mãos divinas. Este superesforço para conduzir seu próprio destino pode explicar boa parte das neuroses de nosso tempo, bem como os desastres humanos causados pelo ateísmo dos sistemas políticos que deixaram atrás de si um rastro de sangue e de ruína.

No entanto, as mãos de Deus são poderosas: elas modelaram a argila do primeiro homem (Gn 2,7), e ainda somos como barro nas mãos do mesmo oleiro (Jr 18,6). Em sua insanidade e soberba, a criatura tenta libertar-se das mãos que o moldaram, sem perceber que seu barro conserva as impressões digitais dos dedos de Deus.

O povo fiel sabe que a força do braço de Deus pode fortalecer o homem. Assim como a unção divina fez do pastor Davi o guia de seu povo, assim também a força de Deus se manifestou na aparente fraqueza de Madre Teresa de Calcutá, de Dom Bosco e de tantos outros servos cuja ação transformou o mundo.

E nós? Estamos contando com o braço de Deus?

Orai sem cessar: “ O Senhor manifestou o poder de seu braço!” (Lc 1,51)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.