Pano novo em roupa velha?… (Mc 2,18-22)

É exatamente isto que Jesus reprova. Aliás, o Mestre apenas se vale da experiência popular para lembrar o que ninguém fazia: remendar roupa nova com tecido novo. Naquele tempo, os tecidos eram de fibras vegetais cruas que, lavadas pela primeira vez, encolhiam muito. Assim, um remendo de retalho novo iria encolher e, repuxando o tecido velho, aumentaria o rasgão!

Naquele tempo, um auditório preso às tradições judaicas (tecido velho!) teria muita dificuldade em acolher a novidade da Boa Nova (tecido novo!). Antes, seria preciso renovar o tecido velho, graças à ação do Espírito Santo.

Uma conversão – como a de Nicodemos – é fruto desta atuação divina no coração humano. Só depois dela estaremos aptos a acolher “novidades” como abrir mão de tradições legalistas e aceitar as surpresas do Espírito.

Hoje, a situação é a mesma. Vivemos num meio social que se petrificou em valores e atitudes difíceis de mudar. Os avós garantiam: “Não se trocam chinelos velhos por chinelos novos!” Será que o novo incomoda? O novo abala nossas seguranças? Será que perdemos a capacidade de renovação interior?

Temos um exemplo: o Papa acaba de proclamar um Ano da Misericórdia. Será que nós queremos isto? Será que estamos prontos a perdoar? Ou preferimos a justiça cega, doa a quem doer? Estamos abertos a trocar a imagem de um Deus punitivo por um Deus paternal? Vejamos o que diz Francisco:

“Nas parábolas dedicadas à misericórdia, Jesus revela a natureza de Deus como a dum Pai que nunca se dá por vencido enquanto não tiver dissolvido o pecado e superada a recusa com a compaixão e a misericórdia. Conhecemos estas parábolas, três em especial: as da ovelha extraviada e da moeda perdida, e a do pai com os seus dois filhos (cf. Lc 15,1-32). Nestas parábolas, Deus é apresentado sempre cheio de alegria, sobretudo quando perdoa. Nelas, encontramos o núcleo do Evangelho e da nossa fé, porque a misericórdia é apresentada como a força que tudo vence, enche o coração de amor e consola com o perdão. […] No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada.[…]

A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia.”

Nós queremos isto?

Orai sem cessar: “Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap 21,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.