Os espíritos impuros lhe obedecem… (Mc 1,21-28)

Em sua breve vida pública, Jesus Cristo sempre manifestou os mais notáveis sinais de sua divindade: foram curas físicas (febre, cegueira, paralisia, lepra, surdez…), domínio sobre a matéria (a água mudada em vinho), controle sobre a natureza (a tempestade acalmada no lago), senhorio sobre a vida (a reanimação de Lázaro). Entretanto, um dos sinais que mais impactavam os circunstantes eram os casos de libertação espiritual, hoje chamada de exorcismo.

Naturalmente, é sempre chocante ver que um infeliz é agitado pelo demônio, lançado por terra (cf. Mc 1,26; 9,26), antes de o deixar em paz. E o espanto crescia diante da serenidade de Jesus ao exercer sua autoridade espiritual.

Desde o início, quando foi levado pelo Espírito ao deserto “para ser tentado” (cf. Mt 4,1), Jesus viveu permanente combate contras as forças desagregadoras de Satã. Vencido na tríplice tentação, o adversário voltaria “em tempo oportuno” (cf. Lc 4,13), isto é, a hora de sua agonia no Getsêmani. Mas o combate espiritual atravessa cada passo do itinerário de Jesus de Nazaré, revelando um poder desconhecido até então.

Macário, o Grande [300-390 d.C.], ao comentar esta passagem do Evangelho, ensinava: “A alma que caiu sob a servidão e a autoridade da treva das paixões do pecado é oprimida pela febre da lei do pecado; ela é imobilizada e inibida em relação às obras da vida, as virtudes perfeitas do Espírito, pois ela é incapaz de cumpri-las de maneira irreprochável, mas nada a impede de clamar pelo único médico, de chamar por seu socorro nem de esperar pela saúde.

Deus só espera dos homens esta oportunidade, pois o poder de fortalecer a alma, de curá-la da febre do pecado e arrancá-la da tirania e da influência das paixões, este poder pertence a Deus e somente a Ele é reservado. É Ele quem o porá em ação prontamente, como está escrito: ‘Ele fará justiça àqueles que clamam por Ele dia e noite’. (Lc 18,7)

O próprio Senhor quer ser assim procurado, amado, acreditado e atraído pelo amor da alma para ali vir habitar, reger e governar todo o seu pensamento e conduzi-la para a inteira vontade de Deus.”

Vale lembrar que o mesmo poder foi concedido por Jesus à sua Igreja: “expulsarão demônios em meu nome”. (Mc 16,17)

Orai sem cessar: “Tu és meu auxílio e meu libertador!” (Sl 40,18)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.