SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Ordenação diaconal do Fr José Marcos do Amaral, mSC,

São Gabriel da Cachoeira, 08-06-2018

Caríssimos Pe Edvaldo e Missionários do Sagrado Coração, estimados Presbíteros, Irmãos e Irmãs da Vida Consagrada, querido povo santo fiel de Deus!

A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é por excelência o símbolo da compaixão e da misericórdia de Deus. Mas, não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte de onde jorra a salvação para toda a humanidade.

1 – Nos Evangelhos encontramos várias referências ao Coração de Jesus, por exemplo, na passagem onde o Senhor mesmo diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados ​​e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração “(Mt 11, 28-29). Mas, hoje o nosso olhar se volta novamente para a cruz, concentra-se no Crucificado e acaba atraído pelo lado aberto pela lança, o Coração de Jesus. O evangelista João de fato testemunha o que viu no Calvário, ou seja, que um soldado, quando Jesus já estava morto, perfurou o seu lado com a lança e daquela ferida saiu sangue e água (cf. Jo 19, 33-34). “Aqui acontece a suprema epifania da quénose do Filho, epifania do Amor que se doa sem nada pedir em troca. Nada mais alto do que o abaixamento da cruz, porque lá se atinge a altura máxima do amor” (Papa Francisco). O coração aberto de Jesus é o sinal de um Deus que nos ama até o derramamento da última gota de sangue e de água, símbolo da vida totalmente entregue, abismo de amor do qual saímos: a água do Batismo através do qual nascemos e o sangue da Eucaristia através da qual vivemos. João reconheceu naquele sinal o cumprimento das profecias: do coração de Jesus, Cordeiro imolado na cruz, jorra para todos os homens o perdão, a vida, a salvação. Pelo coração aberto do Filho de Deus e do Homem o céu se abre definitivamente para todos nós. Por isso, repetimos mais uma vez com os MSC: “Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus! Eternamente!”

2 – Acolhidos e amados pelo Coração de Jesus, nosso coração agora se abre para agradecer os 20 anos de presença dos Missionários do Sagrado Coração em nossa Igreja do Rio Negro. Há 20 anos, o Pe Ivo Trevisol e o então Diác Carlos Roberto Rodrigues desembarcaram em nossa Diocese. No peito traziam entusiasmo e coragem. Na mala, muita esperança e vontade de evangelizar. E aceitaram trabalhar na paróquia mais distante: Pari Cachoeira. Logo depois, chegou o Pe Jorge que aceitou o desafio da formação de futuros padres e também a complicada administração da Diocese. Partiu há pouco tempo e deixou um grande vazio e muita saudade. Depois vieram vários outros missionários que desejamos recordar com igual carinho e gratidão: O Pe Sírio, que hoje nos acompanha do Céu. Ele veio para visitar o Pe Ivo em Pari e decidiu ficar com ele por vários anos. Em seguida trabalhou também em nossa cidade. Lembramos agradecidos o provincial da época, o Pe José Roberto Bertasi. Ele ajudou a implantar a missão no Rio Nero e acompanhou-a com carinho retornando para cá várias vezes. Ele também nos contempla feliz da glória do Céu. Depois vieram os missionários que, ao mencioná-los, vocês visualizarão seus rostos e sua generosidade. Ir Henrique, Pe Mauro, Pe Gilberto, Pe Reuberson, Pe Jakson, Pe Otacílio, Pe Girley e, finalmente o jovem seminarista José Marcos. Todos vieram disponíveis para toda e qualquer boa obra como orienta o Pe Júlio Chevalier, o inspirado fundador do MSC. Por isso, não poderia haver momento mais oportuno do que a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus para darmos graças a Deus pela vocação e carisma dos Missionários que nasceram do Amor do seu coração e por Ele foram conduzidos a todos o Povos indígenas e não indígenas desta região, a melhor preservada de toda a Amazônia. “Vai, vai missionário do Senhor, vai trabalhar na messe com ardor. Cristo também chegou para anunciar: não tenhas medo de evangelizar”!

3 – Finalmente, algumas palavras para o querido irmão José Marcos que logo será ordenado diácono. Recordando os MSC que te precederam, vimos que junto com o Pe Ivo veio o Diác Carlos, que logo depois foi ordenado presbítero e prosseguiu entre nós durante vários anos. Assim também aconteceu com o Pe Girley. Veio como diácono. Voltou para Teófilo Otoni para ser ordenado presbítero e retornou para permanecer conosco até hoje. Mas, estou pensando que o melhor caminho está sendo o teu. Vieste como seminarista ou frater com votos perpétuos. Percorreste meio ano entre nós para ter certeza da vocação missionária e hoje serás ordenado Diácono para exercer este ministério entre nós. E oxalá, nem tu e nem teu Provincial, O Pe Edvaldo, mudem de idéia: após a ordenação presbiteral, retornarás para trabalhar como padre aqui entre nós.

“Tudo posso naquele que me fortalece” ( Fl 4, 13). Perguntei ao José Marcos porque escolheu este versículo da carta de Paulo ao Filipenses como inspiração para viver o ministério diaconal. Com emoção ele me contou que Maria Raquel, sua mãe, que foi também catequista, lia muito a Bíblia. Certo dia, quando ele tinha 11 anos, ao retornar da roça para a merenda, a mãe o chamou e lhe mostrou um texto sublinhado por ela na Bíblia. “Meu filho, veja como é bonita esta palavra: “Tudo posso naquele que me fortalece”. E completaste: “Esta palavra me marcou para sempre. Nos momentos difíceis sempre me deu força, alento e esperança. E vai me acompanhar até o fim da vida”. Esta inspiração bíblica, José Marcos, é a mais bela homenagem que prestas à tua querida mãe que nesta hora te acompanha lá do Céu. Sem dúvida, neste momento, estão também em sintonia contigo o teu pai José Elias do Amaral e teus irmãos Antônio Márcio, Luis Augusto, Luzia Aparecida e Ana Cristina.

José Marcos, embora tenhas como meta o ministério de presbítero, a ordenação diaconal não é apenas um degrau passageiro. O serviço do diácono, seguindo o exemplo do Divino Mestre que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida, deverá ser a marca a registrada de toda a tua vida e missão como autêntico MSC. Meu orientador espiritual, no dia em que fui ordenado diácono, transmitiu-me três sábios conselhos, que desejo partilhar também contigo: “1 – Hoje foste ordenado diácono para servir; 2 – Diácono para servir com alegria; 3 –Diácono para servir com a alegria a vida inteira”.

Após a imposição das mãos do bispo ouvirás estas palavras: “Resplandeçam em ti as virtudes evangélicas: o amor sincero, a solicitude com os enfermos e os pobres, a autoridade discreta, a simplicidade de coração e uma vida segundo o Evangelho. Brilhem em tua conduta os mandamentos de Deus, para que o exemplo de tua vida desperte a imitação do povo e, guiando-te por uma consciência reta, permaneças firme e estável no Cristo. Assim, imitando na terra o Filho de Deus, que não veio para ser servido, mas para servir, possas reinar com ele no Céu”.

Voltemo-nos agora para nossa querida Mãezinha, Nossa Senhora do Sagrado Coração: o seu coração imaculado, coração de mãe, vivenciou ao máximo a “compaixão” de Deus, especialmente na hora da paixão e da morte de seu amado Filho. Que Maria nos ajude a ser mansos, humildes e misericordiosos com os nossos irmãos e irmãs.