Operários para a messe… (Mt 9,32-38)

Homem do povo falando ao povo, Jesus retira suas imagens do meio em que vive: as aves do céu, as tarefas do lar, o trabalho do campo. Assim, ao falar da missão dos evangelizadores, ele tem diante dos olhos um trigal dourado, as espigas maduras, à espera dos ceifadores que parecem tardar…

Conforme comenta Santo Agostinho [+430], “Cristo estava cheio de entusiasmo por sua obra e se dispunha a enviar operários. E vai enviar os ceifadores. ‘É verdadeiro o provérbio: Um semeia, outro ceifa. Eu vos enviei a colher ali onde não tivestes trabalho; outros assumiram o esforço, e vós vos aproveitais de seus trabalhos’. (Jo,37-38)”

Não é interessante que Jesus veja a evangelização como um “trabalho” ? Algo que exige boa dose de esforço e cansaço… Algo inseparável de sofrimento e suor… Algo que não se faz por uma inclinação natural, mas movido por certa “necessidade”.

Nós sentimos como “necessário” o trabalho de evangelizar? Ou nos parece algo opcional? Algo bom, sem dúvida, mas apenas uma atividade entre outras, que sinalizaria em nós um degrau mais elevado de santidade ou de vida beneficente? Algo importante, mas que não nos diz respeito?

Não é isso que grita o apóstolo Paulo: “Ai de mim se não evangelizar!” (1Cor, 9-16) Paulo sabe que a revelação recebida na estrada de Damasco não poderia ser escondida do mundo sem o peso da culpa que recai sobre os indiferentes. Paulo sabe que foi alvo de um privilégio e, assim, deve ao Senhor uma resposta de amor.

O mesmo aconteceu com os missionários de todos os tempos. Eles eram acima de tudo operários de uma construção inadiável: o Reino de Deus! Depois de experimentarem em suas vidas a invasão do Amor divino, eles não podem calar essa descoberta. Daí em diante, os apaixonados não podem ficar neutros e indiferentes à multidão que desconhece o mesmo amor…

Contemplando as multidões, Jesus via a vasta seara a ser colhida. As sementes da Graça já haviam sido semeadas. O tempo da colheita já havia chegado. Era o tempo de enviar os ceifadores.

Como reage o nosso coração diante da sociedade atual que se afasta da fé e dia a dia vai perdendo a esperança? Seremos espectadores neutros e indiferentes? Será que as espigas se perderão?

Orai sem cessar: “Enviai, Senhor, operários para vossa messe!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.