O sinal de Jonas… (Mt 12,38-42)

Lembra-se de Jonas, o profeta teimoso que tentou fugir de sua missão e acabou na barriga de um grande peixe do mar? Após três dias e três noites nas entranhas do Xeol e no coração do mar (cf. Jn 2,3-4), com um colar de algas marinhas enlaçando-lhe o pescoço, Jonas clamou por Deus e foi devolvido à superfície das águas, são e salvo. É belíssimo o salmo que ele reza naquela passagem do Antigo Testamento!

Jesus Cristo recorre à experiência bíblica de Jonas – do conhecimento de todos os seus ouvintes – para fazer alusão à sua própria ressurreição “ao terceiro dia”. Este seria o único “sinal” dado aos que duvidavam de sua missão messiânica. Na falta da fé, clamavam por demonstrações de poder…

Bem, nós corremos o mesmo risco… Podemos avaliar que nossa vida espiritual anda meio rotineira, que não basta cumprir os mandamentos, amar o próximo, viver uma vida sacramental. Aí, nasce em nossas circunvoluções cerebrais uma ânsia esquisita por algum milagre, algum prodígio sobrenatural, algumas aparições no alto da montanha, enfim, algo fora do comum… E lá vamos nós em peregrinações a locais de supostos fenômenos místicos, ou em visita a grupos onde se manifestam os dons mais extravagantes. No fundo, conhecidos sintomas de inquietação interior, de gula espiritual, de falta de abandono infantil nas mãos do Pai que nos ama…

Desde os primeiros tempos da Igreja, os autores espirituais já nos ensinaram a buscar pelo Deus dos sinais, e não pelos sinais de Deus. O próprio Jesus fez uma advertência a Tomé, que afirmava crer somente sob a condição de ver: “Felizes os que, sem terem visto, acreditam!” (Jo 20,29.)

Sim, se dependêssemos de uma enxurrada de sinais para crer em Deus, para atender ao seu chamado, para assumir nossa missão, nós ficaríamos para sempre sentados no meio-fio, esperando a banda passar… Na mão oposta, a vida dos santos revela que eles passaram longos anos sem nenhum “sinal de vida” da parte do Senhor que os atraíra, seduzira e, a seguir, escondeu-se na nuvem.

Foi assim com Madre Teresa de Calcutá – só o soubemos depois de sua beatificação! -, que passou mais de quatro décadas no mais absoluto deserto interior. E essa aridez, essa aparente ausência de Deus, não impediu que se dedicasse de alma e coração à missão de amar os abandonados.

Aliás, foi neles que ela se encontrou com Deus todos os dias…

Orai sem cessar: “Cumprirei os meus votos para com o Senhor!” (Sl 116,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.