O semeador saiu a semear… (Mc 4,1-20)

Semear é fazer uma aposta no futuro. Todo semeador sabe que corre riscos, pois, uma vez lançada a semente, ela escapa de seu controle. Sol e chuva, ventos e geadas, secas e inundações são apenas algumas das incertezas que envolvem seu trabalho. Mas ele insiste em semear em vista da possível alegria da colheita.

Dificilmente encontraríamos uma imagem melhor para representar o trabalho da evangelização. Também ele é um ato de esperança. Também ele visa à explosão de alegria daqueles que participam da colheita. O Papa Francisco escreve sobre isto:

“A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária. Experimentam-na os setenta e dois discípulos, que voltam da missão cheios de alegria (cf. Lc 10,17). Vive-a Jesus, que exulta de alegria no Espírito Santo e louva o Pai, porque a sua revelação chega aos pobres e aos pequeninos (cf. Lc 10,21). Sentem-na, cheios de admiração, os primeiros que se convertem no Pentecostes, ao ouvir ‘cada um na sua própria língua’ (At 2,6) a pregação dos Apóstolos. Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar.”

O evangelizador é um itinerante que jamais se dá por satisfeito. Não se detém para pesar a colheita, pois já está de olho em novas semeaduras. Observa o Papa: “Mas [esta alegria] contém sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além. O Senhor diz: ‘Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim’. (Mc 1,38.) Ele, depois de lançar a semente num lugar, não se demora lá a explicar melhor ou a cumprir novos sinais, mas o Espírito leva-O a partir para outras aldeias”. (Evangelii Gaudium, 21)

Aquele que deixa de anunciar a Palavra já não tem fé no seu poder transformador. Francisco afirma: “A Palavra possui, em si mesma, tal potencialidade, que não a podemos prever. O Evangelho fala da semente que, uma vez lançada à terra, cresce por si mesma, inclusive quando o agricultor dorme (cf. Mc 4,26-29). A Igreja deve aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas, que muitas vezes nos escapam, superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas”. (EG, 22)

Orai sem cessar: “Os ceifadores vão felizes na alegria da colheita.” (Is 9,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.