O que sai do homem… (Mc 7,14-23)

O coração humano pode ser uma fonte de bem ou de mal, conforme o uso que fazemos de nossa liberdade. Segundo o Apóstolo Tiago, “da mesma boca procede a bênção e a maldição”. (Tg 3,10)

Enquanto os fariseus valorizavam gestos e ritos para purificar o homem “por fora”, Jesus vem acentuar a importância de uma purificação interior, pois “aquilo que sai do homem, isso é que torna o homem impuro”.

Podemos emitir boas palavras, olhares de simpatia, gestos de consolo, abraços de amizade. Mas a boca pode dizer blasfêmias e calúnias. Os olhos podem fuzilar de ódio ou apodrecer de luxúria. As mãos podem furtar e matar.

Em outro Evangelho, em uma aula sobre o discernimento, Jesus nos passa um critério de grande valor: “pelos frutos os conhecereis” (Mt 7,16.20). Aplicando o critério à nossa própria vida, podemos conhecer que tipo de “árvore” nós temos sido. Que palavras nós pronunciamos? Deboche, zombarias, comentários fúteis, críticas ácidas, lamentações permanentes, expressões de duplo sentido, piadas sujas? Que olhares são os nossos? De acolhida ou de repulsa? De respeito ou sedução? Que gestos e atitudes produzimos? De caridade ou indiferença?

Não é sem motivo que nossas celebrações são iniciadas por um ato penitencial: nós somos pecadores. Como ensina o “Catecismo da Igreja Católica”, nossa natureza foi “lesada” em suas forças naturais pelo pecado original, cujas sequelas ainda sofremos em nosso ser. Esta inclinação para o mal é chamada “concupiscência”. “O Batismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e torna a voltar o homem para Deus, porém as consequências de tal pecado sobre a natureza, enfraquecida e inclinada ao mal, permanecem no homem e o incitam ao combate espiritual.” (Nº 405)

Não é por acaso que os orientadores espirituais aconselham o permanente exame de consciência e a confissão frequente. Sem isso, vamos afundando no lamaçal de nossos pecados e, sem perceber, nos tornamos em uma fonte que espalha o mal à nossa volta, afastando as pessoas da amizade de Deus. Podemo-nos tornar colaboradores do demônio. E isso não se vive impunemente…

Certamente, há muito que trabalhar para que não nos tornemos obstáculo à salvação dos que convivem conosco.

Orai sem cessar: “Em vós se encontra o perdão dos pecados.” (Sl 130,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.